Bastidores políticos

Operação da PF no RJ mira aliado de Flávio Bolsonaro e amplia pressão sobre pré-campanha

Ex-prefeito Márcio Canella é alvo de investigação sobre suposto esquema de lavagem de dinheiro com combustíveis; caso provoca questionamentos sobre sua candidatura ao Senado pelo Rio

Alvo da PF, Márcio Canella é um dos principais aliados de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 07/07/2026, às 14h18

A nova fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (7), provocou impactos no cenário político do Rio de Janeiro ao atingir o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil). Considerado um dos principais aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) no estado, Canella é investigado por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro que, segundo as apurações, teria movimentado cerca de R$ 7,6 bilhões por meio de uma rede de postos de combustíveis.

As investigações apontam para a atuação de uma organização criminosa suspeita de utilizar empresas ligadas ao setor de combustíveis para ocultar recursos de origem ilícita, contando, segundo a PF, com a participação e a conivência de agentes públicos. Canella é um dos principais alvos da ofensiva policial.

Aliança com o núcleo bolsonarista

 

Além da investigação criminal, a operação repercutiu nos bastidores da pré-campanha para o Senado. Canella vinha sendo apoiado por Flávio Bolsonaro como um dos nomes do grupo político para a disputa de 2026. A chapa ainda conta com Rogéria Bolsonaro, mãe do senador e do deputado federal Eduardo Bolsonaro e do vereador Carlos Bolsonaro, como primeira suplente.

Poucos dias antes da operação, na última sexta-feira (3), Canella participou ao lado de Flávio Bolsonaro do 3º Seminário Nacional de Comunicação do PL, ocasião em que foi apresentado como pré-candidato ao Senado. O episódio, porém, alterou o cenário interno da legenda, que passou a discutir a permanência do ex-prefeito na disputa.

Fontes ligadas ao PL afirmam que já havia preocupação com a possibilidade de uma ação da Polícia Federal envolvendo Canella e, por isso, alguns integrantes do partido defendiam uma reavaliação de sua pré-candidatura. Com a deflagração da operação, dirigentes da sigla avaliam que o ex-prefeito perdeu viabilidade política para integrar a chapa ao Senado no estado.

Impacto político

O episódio representa mais um revés para o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro na disputa por uma vaga no Senado pelo Rio de Janeiro. No mês passado, o ex-governador Cláudio Castro (PL), que aparecia entre os principais nomes nas pesquisas de intenção de voto, desistiu de concorrer após ser alvo de uma investigação da PF relacionada ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Com a nova operação envolvendo Márcio Canella, o PL passa a enfrentar mais incertezas na definição de sua chapa para a eleição. Até o momento, a legenda ainda não anunciou se manterá, ou não, o apoio à candidatura de Canella.

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