Deputado do PL usou investigação envolvendo Daniel Vorcaro para ironizar adversários durante discussão sobre a responsabilização criminal de adolescentes a partir dos 16 anos.
Redação Publicado em 10/06/2026, às 10h45
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou ao centro dos debates políticos ao defender a redução da maioridade penal durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Em meio à discussão, o parlamentar também aproveitou para rebater críticas da oposição e citou o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, alvo de investigações que vêm repercutindo nacionalmente.
Durante a sessão realizada na terça-feira (9), Nikolas argumentou a favor da proposta que prevê a responsabilização penal de adolescentes a partir dos 16 anos em determinados crimes. Segundo ele, a legislação atual não responde adequadamente a casos envolvendo jovens que praticam delitos graves.
Ao defender o projeto, o deputado afirmou que existe uma diferença entre adolescentes que estudam e trabalham e aqueles envolvidos com a criminalidade. Em seguida, criticou parlamentares contrários à proposta e ironizou o discurso de seus adversários políticos.
Em uma das falas que mais repercutiram, Nikolas afirmou que, na visão da oposição, políticos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro deveriam ser presos, fazendo referência indireta às investigações envolvendo Daniel Vorcaro.
“Quem anda no avião do Vorcaro tem que ir para a cadeia”, declarou o deputado, em tom crítico, ao questionar argumentos sobre superlotação do sistema prisional.
A declaração remete à polêmica surgida após a divulgação de que Nikolas utilizou uma aeronave ligada ao banqueiro durante a campanha eleitoral de 2022. Na época, o parlamentar afirmou que desconhecia quem era o proprietário do jato e destacou que o nome de Vorcaro ainda não era conhecido nacionalmente.
O episódio ocorre em um momento de forte desgaste político envolvendo o Banco Master e seus controladores. O caso tem sido explorado tanto por parlamentares governistas quanto por integrantes da oposição, que cobram esclarecimentos sobre relações entre empresários e figuras do campo conservador.
Enquanto isso, a proposta de redução da maioridade penal segue dividindo opiniões dentro e fora do Congresso Nacional. Defensores argumentam que a medida ajudaria a combater crimes graves praticados por adolescentes, enquanto críticos afirmam que o endurecimento das penas não resolve as causas estruturais da violência.
A discussão sobre o tema acabou adiada na CCJ, mas promete continuar ocupando espaço nas próximas semanas, em meio ao avanço das articulações políticas para as eleições de 2026.