Autoridades brasileiras levantam suspeitas sobre possível uso de embarcação para coleta de dados estratégicos
Letícia Sales Publicado em 15/01/2026, às 12h45
O navio-hospital chinês Ark Silk Road deixou o porto do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (15), encerrando uma estadia que durou uma semana e gerou apreensão entre autoridades brasileiras. Embora a embarcação tenha sido apresentada oficialmente como parte de uma missão humanitária, relatos de fontes militares apontam a presença de equipamentos capazes de coletar informações estratégicas sobre infraestrutura portuária e características geográficas do país.
A autorização para a atracação foi solicitada pela China em setembro de 2025, por meio de nota diplomática que previa a permanência do navio entre os dias 8 e 15 de janeiro. O pedido, no entanto, não detalhava os objetivos da visita nem mencionava a chamada Missão Harmony 2025, posteriormente divulgada como a primeira operação humanitária internacional do Ark Silk Road.
A falta de clareza sobre a finalidade da viagem causou desconforto em Brasília, sobretudo em um contexto de maior atenção geopolítica na América Latina. De acordo com a apuração do portal Poder360, além do discurso humanitário, o navio teria atuado como plataforma de reconhecimento, reunindo dados sobre rotas marítimas e estruturas estratégicas brasileiras.
Especialistas ouvidos por autoridades avaliam que esse tipo de operação é comum entre países que mantêm acordos bilaterais de cooperação militar ou naval, o que não é o caso da relação entre Brasil e China. Essa ausência de instrumentos formais de cooperação colocou a visita em uma zona diplomática sensível.
Outro fator que alimentou as suspeitas foi a própria estrutura da embarcação. Apesar de classificado como navio-hospital, o Ark Silk Road possui uma quantidade considerada incomum de sensores, antenas e radares externos, equipamentos que ampliam significativamente sua capacidade de vigilância e coleta de dados.
A Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro informou que não houve qualquer tipo de atendimento médico a bordo durante a permanência do navio. Segundo o órgão, o governo estadual apenas recepcionou os comandantes da embarcação no dia da atracação.
Em nota, o Pier de Mauá reforçou que não houve nem haverá ações humanitárias no navio. De acordo com o terminal, a visita teve caráter protocolar e diplomático, com o objetivo de estreitar relações entre Brasil e China, sem a realização de atividades médicas ou assistenciais.