Ministro do STF acionou os Ministérios da Justiça e das Relações Exteriores após a Corte de Roma autorizar o retorno da ex-deputada ao país
Redação Publicado em 20/05/2026, às 15h20
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o Ministério da Justiça e o Ministério das Relações Exteriores deem andamento aos procedimentos necessários para a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli da Itália para o Brasil. A medida foi assinada após a Justiça italiana aceitar o pedido apresentado pelo governo brasileiro. Com o aval das autoridades italianas, o processo entra agora na fase de execução diplomática e administrativa para que a parlamentar retorne ao país.
Condenações
Zambelli foi condenada pela Primeira Turma do STF a 10 anos de prisão, em regime inicial fechado, além do pagamento de multa. A sentença envolve os crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica, em um caso ligado à atuação do hacker Walter Delgatti Neto.
Em outro processo, ela também recebeu condenação de 5 anos e 3 meses de prisão por perseguir um homem armada nas ruas de São Paulo, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022.
Os recursos apresentados pelas defesas de Zambelli e de Delgatti foram rejeitados de forma unânime pelo Supremo em junho de 2025. Na ocasião, os ministros consideraram os embargos apresentados apenas como tentativa de atrasar o cumprimento da pena e declararam o trânsito em julgado da ação, etapa em que não há mais possibilidade de recurso.
Segundo o STF, após a confirmação de que a ex-deputada havia deixado o Brasil e estava em território italiano, Moraes acionou formalmente o Ministério da Justiça para iniciar o pedido de extradição com base no acordo bilateral firmado entre os dois países.
Prisão
Em julho de 2025, Zambelli foi presa em Roma por agentes da Interpol italiana. A detenção ocorreu justamente para garantir o cumprimento do processo de extradição solicitado pelas autoridades brasileiras.
Durante a análise do caso, a Justiça italiana pediu uma série de esclarecimentos sobre as condições em que a ex-parlamentar seria mantida no sistema prisional brasileiro. Entre os pontos levantados estavam o presídio em que ela ficaria detida, as condições de segurança interna das unidades e a existência de alas específicas para mulheres.
No despacho mais recente, Alexandre de Moraes afirmou que todas as garantias solicitadas pela Itália já haviam sido oficialmente prestadas pelo Brasil ainda em dezembro do ano passado. Com isso, o caminho para a transferência da ex-deputada ficou liberado, agora o processo entra na etapa final para que a transferência ao Brasil seja realizada.