Investigação

Mendonça manda PF investigar vazamento de mensagens de Vorcaro

Defesa do dono do Banco Master afirma que dados sigilosos foram divulgados após acesso da CPMI do INSS

Ministro do STF afirma que quebra de sigilo não torna informações públicas. - Imagem: Reprodução/STF.

Erika Osti Publicado em 06/03/2026, às 18h31

O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça determinou nesta sexta-feira (6) que a Polícia Federal abra um inquérito para investigar o vazamento de informações sigilosas relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e um dos alvos de investigações envolvendo a instituição. A decisão foi tomada após pedido da defesa do empresário, que apontou a divulgação na imprensa de mensagens e outros dados obtidos a partir da quebra de sigilo de seus aparelhos celulares.

De acordo com os advogados de Vorcaro, as informações começaram a circular publicamente depois que o material foi compartilhado com a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS. O acesso aos dados ocorreu após determinações judiciais e parlamentares que permitiram a quebra de sigilos fiscal, bancário e telemático do investigado.

Na decisão, Mendonça afirmou que a quebra de sigilo não autoriza a divulgação pública das informações obtidas. Segundo o ministro, autoridades que recebem esse tipo de material têm a responsabilidade de preservar o caráter reservado dos dados.

O magistrado destacou que o objetivo do inquérito é identificar quem teria descumprido o dever de proteger o material sigiloso. Para ele, a investigação deve se concentrar em pessoas que tinham acesso direto às informações e obrigação de mantê-las sob confidencialidade.

A apuração ficará sob responsabilidade da Polícia Federal no âmbito da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores. O ministro também determinou que a Procuradoria-Geral da República seja comunicada para se manifestar sobre o caso.

Outro ponto ressaltado por Mendonça foi a necessidade de preservar o trabalho da imprensa. Na decisão, o ministro deixou claro que jornalistas e veículos de comunicação não devem ser alvo da investigação. Segundo ele, o foco deve ser exclusivamente quem tinha a guarda do material sigiloso e eventualmente violou essa obrigação. O magistrado também destacou que a Constituição garante o sigilo da fonte jornalística, princípio que precisa ser respeitado durante qualquer apuração.

Os dados que motivaram a nova investigação foram obtidos a partir de medidas adotadas no âmbito das apurações envolvendo o Banco Master. Parte do material foi compartilhada com a CPMI do INSS após decisões judiciais relacionadas ao caso. O processo no Supremo havia sido conduzido anteriormente pelo ministro Dias Toffoli antes de passar à relatoria de Mendonça. Agora, a Polícia Federal deverá investigar como essas informações restritas chegaram ao conhecimento público.

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