Depoimento de Cid expõe pressão de Bolsonaro sobre o ex-ministro da Defesa para alterar relatório sobre eleições
William Oliveira Publicado em 21/02/2025, às 10h13
Em um depoimento recente ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, trouxe à tona alegações graves sobre tentativas de manipulação dos resultados eleitorais.
Cid revelou que Bolsonaro exerceu pressão significativa sobre o então ministro da Defesa, Paulo Nogueira, para que o relatório produzido pelas Forças Armadas indicasse a existência de fraudes nas eleições. Essa manobra visava contestar a legitimidade do processo eleitoral e semear dúvidas sobre a integridade do sistema de votação.
O magistrado mencionou uma reunião programada com o general Paulo Sérgio, que teria ocorrido logo após a finalização do referido relatório, em novembro de 2022. No entanto, a reunião foi cancelada.
"Ele foi proibido de mostrar o laudo que não tinha nenhum problema", observou Moraes.
Em resposta às questões levantadas, Cid declarou: "O presidente estava pressionando ele para que ele escrevesse isso de outra forma."
Após essa intervenção, conforme Cid, houve uma revisão no texto, resultando em uma nova versão que afirmava a impossibilidade de identificar fraudes devido à falta de auditabilidade do sistema eletrônico de votação. Essa alegação já foi refutada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
"Acabou saindo um meio-termo entre o que o presidente queria e o que o ministro Paulo Sérgio fez no trabalho técnico dele", concluiu Cid.