A audiência, agendada para as 14h, tem como objetivo que o militar preste esclarecimentos sobre supostas inconsistências entre seus depoimentos em delação premiada
William Oliveira Publicado em 21/11/2024, às 11h19
Nesta quinta-feira (21), o tenente-coronel Mauro Cid comparecerá ao Supremo Tribunal Federal (STF) para uma audiência com o ministro Alexandre de Moraes, a fim de prestar esclarecimentos sobre supostas inconsistências entre seus depoimentos em delação premiada e as investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF). A audiência está agendada para as 14h e ocorrerá em uma das salas anexas do STF. Cid será acompanhado por sua equipe de advogados, enquanto um representante da Procuradoria-Geral da República (PGR) também deverá estar presente.
O cerne da questão reside nas contradições que podem levar à anulação de sua delação premiada, caso se confirme que Cid deliberadamente omitiu informações ou mentiu aos investigadores. Nesse cenário, as provas obtidas permaneceriam válidas. O advogado de Cid, Cezar Bitencourt, manifestou ceticismo quanto à possibilidade de anulação do acordo.
Na última terça-feira (19), a PF apresentou um relatório ao STF apontando possíveis omissões por parte de Cid em suas declarações. Em depoimento à PF, também realizado na terça-feira, Cid negou envolvimento em um suposto plano para assassinar autoridades como Alexandre de Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Esse plano teria sido parte de uma tentativa de golpe para evitar a posse presidencial de Lula em janeiro de 2023.
Até o momento, cinco indivíduos foram presos sob suspeita de envolvimento no esquema: o general Mário Fernandes, o policial federal Wladimir Matos Soares e os tenente-coronéis Hélio Ferreira Lima, Rafael Martins de Oliveira e Rodrigo Bezerra de Azevedo.
As investigações recuperaram dados que sugerem a participação de Cid no plano golpista. Mensagens do tenente-coronel revelam discussões sobre estratégias golpistas e pressões sobre Jair Bolsonaro por parte de parlamentares e setores do agronegócio.
A possível rescisão do acordo de delação premiada ainda paira como uma ameaça sobre Cid, com implicações que incluem a perda dos benefícios concedidos pelo acordo e uma potencial nova prisão por obstrução da justiça. Vale destacar que a rescisão do acordo manteria as provas produzidas válidas, diferentemente da anulação completa.
Cid já enfrentou uma situação semelhante em março, quando foi convocado para explicar áudios vazados nos quais criticava o ministro Moraes e a PF. Naquela ocasião, foi preso preventivamente por descumprimento de medidas cautelares. Posteriormente, foi liberado em maio e continua sob medidas restritivas impostas desde setembro deste ano.