Ex-ajudante de ordens revelou repasses ao ex-presidente totalizando US$ 86 mil, sem registros formais das transações financeiras
William Oliveira Publicado em 20/02/2025, às 09h42
O tenente-coronel Mauro Cid, que atuou como ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, e seu pai, general Mauro Cesar de Lourena Cid, foram implicados em transações financeiras significativas relacionadas à venda de joias e relógios oferecidos como presentes por autoridades estrangeiras durante o mandato de Bolsonaro.
Em um acordo de delação premiada, Mauro Cid informou à Polícia Federal (PF) que um kit de joias da marca Chopard, recebido da Arábia Saudita em 2019, foi vendido por US$ 18 mil em Miami, no ano de 2022.
Além disso, dois relógios — um da marca Rolex e outro da Patek Philippe — foram vendidos por US$ 68 mil nos Estados Unidos. O repasse dos valores ao ex-presidente contou com a colaboração do pai de Mauro Cid.
Os pagamentos feitos a Bolsonaro ocorreram em diversas parcelas entre 2022 e 2023, totalizando US$ 86 mil. As quantias foram transferidas em cinco transações distintas: US$ 18 mil, US$ 30 mil, US$ 10 mil, US$ 20 mil e US$ 8 mil. Durante seu depoimento, Cid destacou que não existem registros documentais dessas vendas e que os fundos obtidos foram utilizados para cobrir despesas com passagens aéreas e aluguel de veículos durante o processo de venda dos itens.
O sigilo do acordo de delação foi revogado na quarta-feira (19) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão ocorreu pouco após a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar uma denúncia contra Bolsonaro e outras 33 pessoas, acusando-os de tentativas de golpe de Estado para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.