Levantamento obtido pelo Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos aponta 643 mortes de detentos em pouco mais de dois anos, incluindo casos de suicídio, mortes naturais e acidentes.
Ana Beatriz Publicado em 18/05/2026, às 10h32
Um levantamento produzido pelo sistema penitenciário de Minas Gerais revelou que 643 pessoas morreram desde 2024 enquanto estavam sob custódia do Estado mineiro. Os dados incluem presos temporários e condenados, tanto dentro das unidades prisionais quanto em situações externas ligadas ao cumprimento de pena, como no regime semiaberto.
As informações foram elaboradas pelo Departamento Penitenciário de Minas Gerais e pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais e encaminhadas ao Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos de Minas Gerais, órgão ligado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social por meio da Subsecretaria de Direitos Humanos.
O relatório, que agora está sob análise do conselho, reúne registros de mortes ocorridas entre 2024, 2025 e até 15 de março de 2026. Os dados abrangem casos classificados pelo Estado como decorrentes de causas naturais, acidentes, violência e suicídio.
Entre os números que mais chamaram atenção estão os mais de 100 casos de mortes classificados oficialmente como suicídio. Segundo o relatório, 94 dessas ocorrências aconteceram dentro de presídios mineiros.
O presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos, Robson Sávio Souza Reis, afirmou que o órgão está cobrando investigação detalhada sobre todas as mortes registradas no período. Segundo ele, muitas informações apresentadas ao conselho são consideradas insuficientes para esclarecer completamente os casos.
De acordo com Robson Sávio, o cenário de superlotação e precariedade estrutural do sistema prisional mineiro aumenta a preocupação sobre as condições em que os detentos vivem nas unidades administradas pelo Estado.
O sistema penitenciário de Minas Gerais enfrenta há anos denúncias relacionadas à superlotação, falta de assistência médica, estrutura precária e dificuldades no acompanhamento psicológico dos presos. Organizações ligadas aos direitos humanos frequentemente apontam que essas condições podem contribuir para o agravamento de problemas de saúde física e mental entre os detentos.
O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos informou que continuará analisando os relatórios enviados pelo governo estadual para identificar possíveis irregularidades e cobrar providências das autoridades responsáveis.
Em nota oficial, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais afirmou que todos os esclarecimentos sobre o sistema prisional já foram prestados por representantes da pasta durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
A repercussão do levantamento reacendeu debates sobre a situação do sistema penitenciário brasileiro, especialmente em relação às condições de custódia, saúde mental dos presos e responsabilidade do Estado sobre pessoas privadas de liberdade.