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Lula defende STF e rejeita sanções dos EUA: 'Respeito é Essencial'

Investigação sobre Eduardo Bolsonaro surge após denúncias de colaboração com autoridades dos EUA para sanções contra o STF

Investigação sobre Eduardo Bolsonaro surge após denúncias de colaboração com autoridades dos EUA para sanções contra o STF - Imagem: Reprodução / José Cruz / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 03/06/2025, às 19h00

Em uma coletiva de imprensa realizada no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou sua indignação em relação às ameaças de sanção emitidas pelo governo dos Estados Unidos contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Lula considerou essas ações como "inadmissíveis" e afirmou que é inaceitável que líderes de outras nações comentem sobre as decisões da Suprema Corte brasileira.

A declaração do presidente ocorre em meio à análise do governo norte-americano sobre a possibilidade de adotar medidas restritivas, motivadas pela alegação de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro de que existe uma perseguição judicial no Brasil relacionada ao julgamento das tentativas de golpe ocorridas em 8 de janeiro de 2023.

"Se você concorda ou discorda, o mais apropriado é permanecer em silêncio. Não cabe a ninguém emitir juízos sobre questões internas de outros países. Já vivenciei situações difíceis, como a suspensão do meu passaporte nos EUA. É crucial que os Estados Unidos entendam a importância do respeito às instituições alheias", enfatizou Lula ao abordar o papel do STF.

O presidente reforçou que não se pode permitir que uma nação interfira nas decisões internas de outra, destacando que esse tipo de atitude é inaceitável. "É essencial respeitar os outros países. Assim como valorizo meu direito ao respeito, espero receber o mesmo em troca. As declarações que temos ouvido são apenas opiniões, mas o Brasil se compromete a defender tanto seu ministro quanto sua Suprema Corte", declarou.

Além disso, o governo dos EUA manifestou sua intenção de restringir a entrada no país de autoridades acusadas de censura contra cidadãos e empresas americanas. Embora não tenha mencionado nomes específicos, é amplamente reconhecido que essa medida teria como alvo Alexandre de Moraes, que tem sido acusado por simpatizantes de Bolsonaro de cercear a liberdade de expressão, especialmente em relação a parlamentares e plataformas digitais.

Durante a coletiva, Lula também criticou a atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente licenciado, que está nos Estados Unidos promovendo denúncias sobre uma suposta perseguição política contra seu grupo. O presidente descreveu essa postura como um ato grave e antipatriótico, afirmando: "É inaceitável que um deputado brasileiro, filho do ex-presidente, busque apoio externo para interferir na política interna do Brasil".

Lula qualificou as ações de Eduardo Bolsonaro como um desrespeito ao país e uma provocação direta. Ele questionou a falta de críticas do deputado à Suprema Corte em tempos anteriores e apontou a hipocrisia presente nas falas da família Bolsonaro em relação ao sistema eleitoral.

O presidente ressaltou a necessidade de bom senso na política e alertou que aqueles que acreditam ser possível ganhar apoio popular através da desinformação estão cometendo um engano.

Em resposta aos pedidos da Procuradoria-Geral da República (PGR), Alexandre de Moraes abriu um inquérito no dia 26 para investigar a suposta colaboração de Eduardo Bolsonaro com autoridades estadunidenses visando sanções contra o STF. O deputado será investigado por possíveis crimes relacionados à coação no curso do processo e obstrução de investigação por instigar o governo dos EUA contra Moraes.

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