TAXAÇÃO

Lula rebate ameaça de taxação dos EUA: “Reciprocidade é o mínimo”

Lula menciona que a OMC permite tarifas de até 35% e que o Brasil retaliará se os EUA aumentarem suas taxas

Em resposta a tarifas dos EUA, Lula reafirma princípio da reciprocidade e a importância do diálogo diplomático. - Imagem: Reprodução | Instagram

Marina Milani Publicado em 05/02/2025, às 16h42

Em uma declaração feita nesta quarta-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou a intenção do Brasil de adotar o princípio da reciprocidade em resposta a quaisquer tarifas que possam ser impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Durante entrevista concedida a rádios em Minas Gerais, Lula afirmou: "É lógico. O mínimo de decência que merece um governo é utilizar a lei da reciprocidade".

As declarações de Lula surgem em um contexto em que o presidente norte-americano, Donald Trump, tem sinalizado sua intenção de implementar tarifas elevadas sobre países que mantêm superávit comercial com os Estados Unidos. Embora o Brasil enfrente um déficit comercial — importando mais do que exporta para os EUA —, o impacto das tensões comerciais globais pode afetar o país indiretamente.

Lula destacou que a Organização Mundial do Comércio (OMC) permite a aplicação de taxas de até 35% sobre produtos importados. "Para nós, seria fundamental que os Estados Unidos reduzissem suas tarifas, e nós faríamos o mesmo. No entanto, se eles aumentarem as taxas sobre produtos brasileiros, também aplicaremos tarifas sobre eles", declarou o presidente.

O presidente brasileiro sublinhou a importância de um diálogo diplomático e da restauração das relações amistosas entre os países. Ele expressou preocupação com o isolamento dos Estados Unidos no cenário internacional, ressaltando que nenhuma nação pode se dar ao luxo de antagonizar todos ao seu redor permanentemente. "Nenhum país, por mais importante que seja, pode brigar com todo mundo o tempo todo", acrescentou Lula, referindo-se à abertura de 303 novos mercados para produtos brasileiros durante seu governo.

Durante a mesma entrevista às emissoras Itatiaia, Mundo Melhor e BandNewsFM BH, Lula também comentou sobre as afirmações provocativas de Trump. Ele minimizou essas declarações, sugerindo que "ninguém pode viver de bravata a vida inteira" e enfatizando a necessidade de priorizar questões sérias nas discussões internacionais.

Ao abordar a questão da deportação de cidadãos brasileiros pelos EUA, Lula informou que seu governo está preparado para receber os deportados. Um novo voo está previsto para chegar ao Brasil na próxima sexta-feira (7), vindo da Louisiana para Fortaleza, no Ceará. O presidente explicou que sua administração está coordenando com o Itamaraty e a Polícia Federal para garantir um acolhimento adequado aos repatriados.

"Estamos atentos e trabalhando em conjunto com várias instituições para assegurar que esses cidadãos recebam assistência médica e sejam tratados com dignidade ao chegarem ao Brasil", afirmou Lula. Ele esclareceu que essa ação deve ser vista como repatriação e não deportação, já que muitos desses brasileiros buscavam oportunidades melhores no exterior.

Recentemente, um incidente envolvendo um voo fretado pelos EUA trouxe à tona preocupações sobre as condições enfrentadas por deportados brasileiros. Em janeiro passado, um avião chegou a Manaus com 88 brasileiros algemados e relatos de maus-tratos durante o voo. Após intervenção da Polícia Federal e determinação do presidente Lula, os deportados foram transportados pela Força Aérea Brasileira até seus destinos finais.

Desde 2018, Brasil e Estados Unidos têm cooperado na realização de voos de repatriação para facilitar o retorno de cidadãos brasileiros detidos nos EUA por imigração irregular. Com a ascensão de Trump à presidência, a intensificação das deportações tem sido uma prioridade declarada do governo norte-americano.

"Ao cruzar as fronteiras brasileiras, esses indivíduos passam a estar sob nossa legislação e nossa responsabilidade", finalizou Lula.

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