Zema destacou que seu Estado se mantém enxuto. Por outro lado, Lula reagiu com metáfora
Jair Viana Publicado em 11/03/2025, às 15h00
Em evento em Betim (MG), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador mineiro Romeu Zema (Novo) divergiram abertamente sobre a estrutura administrativa de seus governos. Segundo apuração do portal UOL, Zema defendeu a contenção de cargos durante visita a uma fábrica automotiva na região metropolitana de Belo Horizonte: "Somos o segundo estado mais populoso, mas temos só 14 secretarias. Time campeão não precisa de 30 jogadores no banco", ironizou, em clara alusão aos 38 ministérios do governo federal.
O presidente, que acompanhava o governador, não poupou réplicas. Embora não tenha citado números diretamente, a resposta de Lula ecoou sua defesa histórica por uma gestão "plural". A troca de farpas ocorreu em meio a críticas da oposição, especialmente do Novo, partido de Zema, que classifica o excesso de pastas como "gasto desnecessário".
Zema aproveitou o cenário industrial para reforçar seu discurso de eficiência: "Aqui, cada peça tem função. Na política, deveria ser igual". Já Lula, em tom descontraído, rebateu com metáfora esportiva própria: "Time grande precisa de reservas qualificados para não perder o campeonato no meio do jogo".
Segundo apuração do UOL, a tensão reflete um conflito ideológico: de um lado, a defesa de um Estado enxuto pelo Novo; de outro, a visão petista de ampliação de representatividade via cargos. O governador mineiro já propôs ao Congresso um projeto para limitar o número de ministérios – iniciativa barrada pela base aliada de Lula.
O portal UOL ressaltou que, enquanto Zema administra Minas com o menor número de secretarias entre os estados, Lula mantém o maior número de ministérios da história recente. Apesar do clima tenso, ambos evitaram personalizar o debate, mas a disputa por modelos de gestão promete ecoar nas eleições municipais de 2025.