Presidente defende criação de estoque estratégico para proteger preços e evitar desabastecimento diante de tensões internacionais
Erika Osti Publicado em 20/03/2026, às 19h28
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta sexta-feira (20) a criação de uma reserva estratégica de combustíveis no Brasil como forma de proteger o país de oscilações de preços e possíveis falhas no abastecimento provocadas por crises internacionais. A proposta foi apresentada durante evento da Petrobras em Betim, Minas Gerais, onde também foram anunciados investimentos na ampliação da capacidade de refino.
Segundo Lula, a formação de um estoque regulador é uma medida de longo prazo, mas considerada essencial para reduzir a vulnerabilidade do país em momentos de instabilidade global. O presidente citou a escalada de tensões no Oriente Médio, especialmente na região do Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela relevante do petróleo mundial, como exemplo de risco à segurança energética.
O Brasil não possui hoje uma reserva estratégica de petróleo. O país mantém apenas estoques operacionais, suficientes para garantir o abastecimento no curto prazo, entre a importação e o processamento nas refinarias. A dependência externa, especialmente no caso do diesel, que representa cerca de 30% do consumo nacional, amplia a exposição a choques internacionais.
Para o presidente, a criação de reservas, apesar do custo elevado, funcionaria como instrumento de soberania e proteção contra movimentos especulativos. Ele comparou a iniciativa às reservas internacionais em dólar acumuladas pelo país, que ajudam a amortecer impactos de crises externas na economia brasileira.
Lula também indicou que o governo pretende avançar em investimentos no setor de refino, incluindo a modernização de unidades existentes e a possibilidade de construção de novas refinarias. A estratégia, segundo ele, passa por ampliar a produção nacional e estruturar uma política de estoque capaz de garantir maior previsibilidade ao mercado interno.
No mesmo evento, a Petrobras anunciou R$ 9 bilhões em investimentos na Refinaria Gabriel Passos, a Regap, que atualmente opera próxima da capacidade máxima. A expectativa é ampliar a produção de derivados nos próximos anos. Também foi inaugurada uma usina solar na unidade, com previsão de reduzir em cerca de 20% o consumo de energia, dentro das ações de transição energética da estatal.
A defesa de uma reserva estratégica ocorre em meio ao cenário de instabilidade geopolítica e reforça o debate sobre a segurança energética do país, especialmente diante da dependência parcial de importações e da volatilidade do mercado internacional de petróleo.