Presidente critica proposta americana de taxação, afirma que não foi comunicado oficialmente sobre medidas comerciais e cobra diálogo comercial
Julio Cezar Souza Publicado em 03/06/2026, às 12h16
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (3) que o governo brasileiro foi surpreendido pelas recentes propostas de aumento de tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. Segundo ele, não houve comunicação oficial prévia por parte da administração norte-americana, o que motivará um novo contato direto com o presidente Donald Trump.
Durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, Lula relatou que havia estabelecido um prazo para que representantes dos dois países buscassem uma solução para divergências comerciais surgidas em encontros recentes entre integrantes dos governos brasileiro e norte-americano.
De acordo com o presidente, a expectativa era que as negociações continuassem em andamento antes de qualquer decisão unilateral. Por isso, classificou como inesperado o anúncio de novas medidas tarifárias envolvendo produtos brasileiros.
"Na última reunião, quando eu estive lá [...] tivemos uma conversa com o Trump de três horas, e entregamos os assuntos que o Brasil quer discutir. Na hora da relação comercial, houve uma divergência entre o meu ministro e o ministro do comércio deles, eu propus ao Trump: 'Já que não tem acordo entre os dois ministros, vamos dar trinta dias para que eles se entendam'".
As declarações ocorrem após relatórios divulgados por autoridades dos Estados Unidos apontarem supostas irregularidades e barreiras comerciais envolvendo diversos países, incluindo o Brasil. Um dos documentos recomenda tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, enquanto outro propõe uma cobrança adicional de 12,5% relacionada a questões ligadas à fiscalização de cadeias produtivas. Caso ambas as medidas sejam implementadas, a carga tarifária poderá chegar a 37,5%.
Lula também voltou a criticar integrantes do governo norte-americano e afirmou que pretende ampliar os esforços diplomáticos para contestar as acusações apresentadas pelos relatórios.
Durante o pronunciamento, o presidente direcionou críticas a políticos brasileiros que, segundo ele, estariam incentivando medidas internacionais contra o país por interesses eleitorais. Sem citar nomes, afirmou que esse tipo de postura prejudica a economia nacional e afeta diretamente trabalhadores e setores produtivos.
O chefe do Executivo defendeu que divergências comerciais sejam resolvidas por meio do diálogo e reiterou que o Brasil continuará buscando entendimento com os Estados Unidos. Segundo Lula, além de uma nova carta a Trump, o governo pretende intensificar sua comunicação junto à imprensa internacional para apresentar a posição brasileira sobre o tema.
Ao encerrar a fala, o presidente reforçou sua defesa da cooperação entre os países e afirmou que o cenário internacional exige mais negociações e menos conflitos econômicos, destacando que o Brasil continuará apostando na diplomacia para enfrentar os impasses comerciais.