Camilo Santana deixa o cargo para disputar eleições e abre espaço para secretário-executivo assumir a pasta nos próximos dias.
Ana Beatriz Publicado em 30/03/2026, às 19h52
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira (30) uma mudança no comando do Ministério da Educação (MEC). O atual secretário-executivo da pasta, Leonardo Barchini, foi escolhido para assumir o ministério no lugar de Camilo Santana, que deixará o cargo nos próximos dias para participar do processo eleitoral deste ano.
A substituição ocorre dentro do prazo legal de desincompatibilização, exigido para ocupantes de cargos públicos que pretendem disputar eleições. Segundo Lula, a decisão segue uma lógica de continuidade administrativa, priorizando nomes que já atuam dentro do ministério.
“Não posso escolher alguém de fora agora. Preciso de alguém que já sabe o que está acontecendo”, afirmou o presidente ao comentar a escolha de Barchini.
Camilo Santana, ex-governador do Ceará e senador eleito em 2022, estava à frente do MEC desde o início do atual governo. Ele se afastará do cargo para se dedicar à campanha eleitoral, embora ainda não tenha confirmado qual posição disputará em outubro.
A troca ocorre em um momento estratégico para o governo, já que outros ministros também devem deixar seus cargos nas próximas semanas pelo mesmo motivo. A movimentação faz parte de uma reorganização interna da Esplanada dos Ministérios diante do calendário eleitoral.
Quem é o novo ministro
Leonardo Barchini é servidor de carreira ligado à área de educação e ciência, com trajetória no próprio MEC e em instituições como a Capes e a Fundação Getulio Vargas (FGV). Ele ocupa o cargo de secretário-executivo desde 2024, sendo considerado o “número dois” da pasta.
Com formação em Direito e mestrado em Ciências Sociais, Barchini também acumulou funções estratégicas na administração pública, incluindo atuação em organismos internacionais e na gestão municipal de São Paulo.
A escolha reforça a estratégia do governo de manter a linha de políticas já implementadas no setor educacional, evitando mudanças bruscas em programas em andamento.
Contexto político
A saída de Camilo Santana ocorre em meio à intensificação do cenário eleitoral de 2026, com partidos estruturando candidaturas e alianças nos estados. No caso do ex-ministro, há especulações sobre uma possível disputa no Ceará, estado onde construiu sua base política.
A mudança no MEC também reflete o impacto direto do calendário eleitoral na composição do governo federal, que costuma passar por ajustes nesse período para acomodar interesses políticos e garantir a continuidade administrativa.