AVALIAÇÃO

Lula 3: em uma escala de 0 a 4, a média de aprovação é 1,62, segundo matemático

O cálculo, que combina respostas de 27% "boa/ótima", 30% "regular" e 43% "ruim/péssima", reflete um desgaste acelerado

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Imagem: Reprodução / Antônio Cruz / Agência Brasil

Jair Viana Publicado em 14/03/2025, às 07h53

A pesquisa Ipsos/Ipec divulgada nesta quinta-feira (13) escancara o desafio do governo Lula: a média de avaliação da gestão atingiu 1,62 em uma escala de 0 a 4, o índice mais baixo desde o início do terceiro mandato petista. O cálculo, que combina respostas de 27% "boa/ótima", 30% "regular" e 43% "ruim/péssima", reflete um desgaste acelerado, especialmente entre as classes C, D e E, onde a insatisfação chega a 58%. 
Um dos fatores centrais para o resultado é a alta persistente nos preços dos alimentos, que impacta diretamente o bolso das famílias. Segundo o IBGE, itens como arroz (+22%), feijão-preto (+18%) e carne bovina (+12%) acumulam altas acima da inflação geral em 2024. Na pesquisa Ipsos/Ipec, 63% dos entrevistados citaram o custo de vida como principal motivo de descontentamento, seguido por críticas à falta de avanços em emprego (52%) e saúde pública (47%). 
A equipe econômica tenta conter o desgaste com medidas pontuais, como a reedição do programa Descontão, que oferece descontos em combustíveis, e a pressão por redução de tarifas de energia. No entanto, analistas apontam que a demora em estruturar políticas de renda e a dependência de alianças com o Centrão para aprovar reformas travam ações. "O governo está correndo atrás do prejuízo, mas a população percebe que não há um plano claro para frear a inflação de forma estrutural", afirma Maria Fernandes, economista da consultoria Tendências. 
O cenário preocupa o Planalto, que vê a rejeição aumentar mesmo entre eleitores históricos do PT. Nas regiões Nordeste e Norte, tradicionalmente petistas, a avaliação "ruim/péssima" salta de 35% para 41% em três meses. Para o cientista político Carlos Melo, da Insper, "Lula ainda capitaliza no combate à fome, mas a inflação corrói esse capital simbólico." Se não houver uma virada perceptível até o fim do ano, o risco de paralisia política cresce". 
Aprovação do governo Lula 3 por região apresenta um desequilíbrio, se considerado o resultado da eleição presidencial de 2022. No Sudeste, 19% de "boa/ótima", Nordeste, 34%, Sul, 15%. 
Percepção sobre inflação.
Segundo os dados, 78% acreditam que o governo "age pouco" para conter preços, especialmente dos alimentos. 
Quando se faz um comparativo dos índices, a média de 1,62 é inferior aos índices de julho/2023 (1,89) e dezembro/2023 (1,75). 
A equipe de comunicação do Planalto não se pronunciou sobre os dados, mas fontes do próprio governo admitem que o tema será prioritário na agenda das próximas semanas. Enquanto isso, a oposição amplia críticas: "É o retrato de um governo que prioriza o palanque, não o prato do trabalhador", disparou o líder do PL na Câmara, Altineu Côrtes.
Cálculo
A reportagem ouviu, sob a condição do anonimato, um matemático que usou uma fórmula para calcular a média sobre a avaliação do governo Lula 3. Ele usou como base os dados de bom/ótimo e regular. Assim, segundo o matemático, a média revelada pela sua fórmula, pela pesquisa Ipso/Ipec, foi 1,62.” Para calcular a média de aprovação, precisamos atribuir valores numéricos a cada categoria e considerar todos os respondentes. Vamos adotar uma escala comum:
Ótima = 4 
 
Boa = 3 
 
Regular = 2 
 
Ruim = 1 
 
Péssima = 0 
Dados fornecidos:
 
27% consideram a gestão boa/ótima (assumindo que "boa/ótima" inclui ambas as categorias). 
 
30% consideram regular. 
 
Considerando que 43%, que podem ser ruins/péssimas, não aparecem, temos:
 
Cálculo com suposições:
 
Se os 43% restantes forem "ruim/péssima". 
 
Supondo uma divisão igual para simplificar: 
 
   21,5% = ruim (1 ponto) 
 
   21,5% = péssima (0 pontos) 
Média ponderada seria: (27% × 3) + (30% × 2) + (21,5 % × 1) + (21,5 % × 0) = 0,81 + 0,60 + 0,215 + 0 =1,625 
Em uma escala de 0 a 4, a média seria 1,62 (40,6% de aprovação relativa)”.
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