Relator de ações sobre eleições indiretas no Rio de Janeiro, ministro do Supremo Tribunal Federal rebate generalizações, cita escândalos nacionais e defende a classe política fluminense durante sessão no plenário.
Ana Beatriz Publicado em 13/04/2026, às 21h53
O ministro Luiz Fux utilizou parte de seu pronunciamento no plenário do Supremo Tribunal Federal para contestar o que classificou como um “profundo descrédito” direcionado de forma generalizada ao estado do Rio de Janeiro. A manifestação ocorreu no contexto da análise de ações que discutem as regras para eleições indiretas no estado (ADI 7942 e RCL 92644), sob sua relatoria.
Durante sua fala, Fux, que se declarou “carioca de nascença”, criticou a percepção de que a crise política fluminense seria um fenômeno isolado. Segundo o ministro, a perplexidade demonstrada por integrantes da Corte em relação ao cenário do Rio ignora o histórico recente de grandes escândalos de corrupção em âmbito nacional.
Para sustentar seu argumento, o magistrado citou julgamentos de forte repercussão conduzidos pelo próprio STF, como o do Mensalão e da Operação Lava Jato, além de processos mais recentes envolvendo o INSS e o Banco Master.
“Essa perplexidade não seria tão grande se colegas tivessem participado desses julgamentos”, afirmou. Para Fux, o histórico demonstra que problemas institucionais e episódios de corrupção não estão restritos a uma única unidade da federação, mas fazem parte de um quadro mais amplo e estrutural no país.
O ministro também saiu em defesa da classe política do Rio de Janeiro, destacando que o estado possui representantes qualificados atuando na Câmara dos Deputados. A fala ocorre em um momento em que o Rio frequentemente aparece associado a crises políticas e casos de corrupção, o que, segundo ele, contribui para uma narrativa distorcida.
Ao encerrar sua intervenção, Fux ampliou o tom crítico ao abordar a interligação entre diferentes esferas de poder nos episódios de crise institucional. Em uma declaração contundente, afirmou que eventuais responsabilizações não devem recair exclusivamente sobre políticos regionais.
“Se esses políticos tiverem que ir para o inferno, eles vão acompanhados de altas autoridades”, disse, sugerindo que os problemas são compartilhados por diferentes níveis do sistema político e institucional brasileiro.
A fala do ministro reforça o debate sobre a necessidade de análise mais abrangente dos escândalos políticos no país, evitando generalizações regionais e destacando a complexidade das relações entre poder, instituições e governança no Brasil.