Lewandowski critica decisão dos EUA sobre PCC e CV: "Atentado à soberania"

Em discurso no Fórum de Lisboa, o ex-ministro alertou para possíveis consequências econômicas e regulatórias da medida adotada pelo governo americano

Durante evento em Lisboa, o ex-ministro alertou para os efeitos da classificação no ambiente de negócios - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 01/06/2026, às 16h29 - Atualizado às 16h40

O ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski afirmou nesta segunda-feira (1º), que discorda da decisão do governo dos Estados Unidos de enquadrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Segundo ele, a medida pode trazer consequências para a economia brasileira e abrir discussões sobre a soberania do país.

A declaração foi feita durante participação no Fórum de Lisboa 2026. No evento, Lewandowski argumentou que a classificação adotada pelos norte-americanos ultrapassa o campo da segurança pública e pode gerar reflexos diretos sobre o ambiente de negócios no Brasil.

De acordo com o ex-ministro, o enquadramento das facções nessa categoria tende a aumentar exigências regulatórias para empresas nacionais e estrangeiras que mantêm operações no país. Ele destacou que o setor privado poderá ser obrigado a ampliar mecanismos de controle interno, compliance e fiscalização financeira para evitar riscos relacionados às novas regras internacionais.

Lewandowski também demonstrou preocupação com possíveis efeitos sobre a imagem do Brasil no exterior. Para ele, a associação do país à presença de grupos considerados terroristas pode provocar insegurança entre investidores e dificultar a entrada de novos recursos estrangeiros.

Isso pode representar um atentado à nossa soberania. Pode dificultar os investimentos estrangeiros, porque na medida em que um país é classificado como um país que abriga organizações terroristas há uma série de restrições", afirmou.

A decisão do governo americano foi anunciada na última quinta-feira (28), pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. Em comunicado assinado pelo secretário de Estado Marco Rubio, o órgão informou que PCC e Comando Vermelho foram incluídos na lista de “Terroristas Globais Especialmente Designados” e que as duas facções deverão ser formalmente classificadas como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho.

Após o anúncio, o governo brasileiro divulgou nota oficial em que reafirma o compromisso permanente das forças de segurança no combate ao crime organizado. O Palácio do Planalto ressaltou que as atividades das facções estão ligadas principalmente ao tráfico de drogas e outros crimes com finalidade econômica, sem motivação ideológica, política ou religiosa, características normalmente associadas ao terrorismo internacional.

No posicionamento, o governo também destacou a importância da cooperação entre países para enfrentar organizações criminosas transnacionais e mencionou propostas apresentadas aos Estados Unidos para ampliar o intercâmbio de informações de inteligência, combater a lavagem de dinheiro e reforçar o controle sobre o tráfico internacional de armas.

Apesar de defender a atuação conjunta entre as nações, o Planalto criticou medidas adotadas de forma unilateral. Segundo a nota, decisões externas podem criar obstáculos para investigações em andamento, comprometer a troca de informações entre autoridades e provocar impactos econômicos sobre empresas e instituições financeiras brasileiras. 

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