Perícia da Polícia Federal afirma que condições de saúde do ex-presidente exigem monitoramento, mas não justificam prisão domiciliar neste momento
Letícia Sales Publicado em 06/02/2026, às 13h08
O laudo médico elaborado por peritos da Polícia Federal concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresenta um quadro de saúde que demanda cuidados contínuos, mas que é compatível com a permanência no regime prisional na Papudinha, no Complexo da Papuda, em Brasília. O documento será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidirá sobre o pedido da defesa para a concessão de prisão domiciliar por razões humanitárias.
A avaliação médica foi realizada no dia 20 de janeiro, por determinação do próprio Moraes. Segundo o relatório, Bolsonaro precisa de acompanhamento rigoroso da pressão arterial, hidratação adequada, dieta fracionada, exames laboratoriais e de imagem periódicos, além do uso contínuo de aparelho CPAP para o tratamento da apneia do sono. Os peritos afirmam que todas essas medidas podem ser adotadas no ambiente carcerário.
O laudo destaca ainda que as comorbidades apresentadas pelo ex-presidente , entre elas hipertensão arterial, apneia obstrutiva do sono grave, obesidade clínica, aterosclerose sistêmica, refluxo gastroesofágico e aderências intra-abdominais, não indicam, no momento, necessidade de internação hospitalar ou transferência para outra unidade de saúde.
Os médicos alertam, no entanto, para riscos de quedas e episódios de confusão mental caso Bolsonaro permaneça em local sem observação contínua ou sem resposta médica imediata. Para mitigar esses riscos, foi disponibilizada uma estrutura de atendimento 24 horas na Papudinha, incluindo um médico e uma unidade avançada do Samu com enfermeiro, em parceria com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal.
De acordo com o relatório, o próprio Bolsonaro relatou melhora nas condições de custódia após a transferência da Superintendência da Polícia Federal para a Papudinha, ocorrida em 15 de janeiro. Ele afirmou que o espaço para circulação é maior, que a limpeza é satisfatória e que não se incomoda com os ruídos da unidade, apesar das obras em andamento — reclamações frequentes quando estava detido na PF.
No aspecto emocional, os peritos registraram que o ex-presidente se mostrou lúcido, orientado e colaborativo durante a avaliação, com humor considerado estável, ainda que levemente ansioso. Bolsonaro afirmou buscar manter o equilíbrio emocional, embora tenha relatado preocupação com a esposa, Michelle Bolsonaro, a filha menor de idade e a enteada. Ele recusou acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, mas destacou a importância das visitas de um pastor para sua prática religiosa.
O laudo também descreve a rotina do ex-presidente na unidade prisional, que inclui repouso após o almoço, acompanhamento de programas esportivos na televisão, conversas com o policial de plantão e caminhadas diárias de aproximadamente um quilômetro, sempre sob escolta. Bolsonaro ainda tem acesso a área de musculação, pista de caminhada, campo de futebol e espaço para cultos religiosos.
A conclusão do documento médico reforça que, apesar das condições clínicas apresentadas, Bolsonaro encontra-se em estado geral preservado, com capacidade de permanecer sob custódia no sistema prisional enquanto aguarda a decisão do STF sobre o pedido de prisão domiciliar.