Deputada licenciada não compareceu à sessão em Roma; pedido está ligado à condenação por perseguição armada em São Paulo
Letícia Sales Publicado em 01/07/2026, às 08h39
A Justiça da Itália deu início nesta quarta-feira (1º), em Roma, à audiência que trata do pedido de extradição da deputada licenciada Carla Zambelli. Segundo apuração da TV Globo, a parlamentar não esteve presente à sessão.
O processo em análise pela Corte italiana está relacionado à condenação de Zambelli a 5 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo. A pena decorre de um episódio ocorrido na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando a então deputada perseguiu, armada, um homem pelas ruas do bairro Jardins, na capital paulista, após uma discussão de cunho político.
Garantias enviadas pelo STF
Para viabilizar o pedido de extradição, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou em 23 de junho à Advocacia-Geral da União (AGU) as garantias solicitadas pelas autoridades italianas. No documento, o ministro defendeu a legitimidade da condenação, aprovada por ampla maioria dos integrantes da Corte no julgamento sobre a perseguição armada.
De acordo com apuração da TV Globo, Gilmar Mendes destacou que a condenação partiu do plenário do STF — a mais alta instância do Judiciário brasileiro — e que a votação resultou em 9 votos a 2 pelo crime de porte ilegal de arma de fogo, e 10 votos a 1 pelo delito de constrangimento ilegal.
Em suas considerações, o ministro afirmou que o "processo em questão tramitou de forma hígida e regular, sem qualquer vício ou nulidade no processo de conhecimento que impeça a extradição de cidadã brasileira por crime cometido no país e para o qual se aplica, na sua integralidade, a lei brasileira".
Como parte das garantias formais enviadas à Itália, o STF assegurou que:
Segundo processo de extradição envolvendo Zambelli
Este não é o primeiro pedido de extradição analisado pela Justiça italiana envolvendo a parlamentar. Em maio deste ano, a Corte Suprema de Cassação da Itália já havia negado a extradição de Zambelli em outro processo — o que trata da condenação a 10 anos de prisão pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Na ocasião, os magistrados italianos apontaram "diversos elementos" que, segundo a Corte, geravam dúvidas sobre a imparcialidade objetiva do STF no julgamento. O tribunal citou especificamente a atuação do ministro Alexandre de Moraes, que teria acumulado, ao longo do processo, a função de integrante do colegiado julgador com a de pessoa apontada como prejudicada por um dos crimes atribuídos à deputada.
Agora, com a nova audiência em curso em Roma, a Justiça italiana volta a analisar o caso de Zambelli — desta vez em relação à condenação pela perseguição armada de 2022, com as garantias adicionais apresentadas pelo STF por meio do ministro Gilmar Mendes.