Tribunal Superior Eleitoral analisa acusação de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022; decisão pode redefinir o cenário político do Rio de Janeiro.
Ana Beatriz Publicado em 14/03/2026, às 12h49
O futuro político do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), está nas mãos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Corte analisa ações que pedem a cassação do mandato do governador e sua inelegibilidade por suposto abuso de poder político e econômico durante a campanha eleitoral de 2022.
O julgamento, que já teve início na Corte, foi suspenso após pedido de vista de um ministro, mas deve ser retomado nas próximas sessões do tribunal. Nos bastidores do TSE, a expectativa é que o processo volte à pauta ainda neste mês, o que pode levar a uma decisão que impactará diretamente o comando político do estado do Rio de Janeiro.
O caso envolve acusações relacionadas ao chamado escândalo do Ceperj, que investiga a utilização de contratações e pagamentos realizados por fundações estaduais durante o período eleitoral. Segundo as ações apresentadas à Justiça Eleitoral, essas estruturas teriam sido usadas para beneficiar a campanha do governador, configurando abuso de poder político e econômico.
Entenda o processo no TSE
A análise no tribunal superior ocorre após recursos apresentados contra decisão anterior do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que havia absolvido Cláudio Castro por 4 votos a 3. O Ministério Público Eleitoral e o então candidato ao governo do estado em 2022, Marcelo Freixo, recorreram da decisão, levando o caso ao TSE.
No julgamento já iniciado em Brasília, dois ministros chegaram a votar pela cassação do governador antes da suspensão do processo por pedido de vista. Caso a maioria da Corte acompanhe essa posição, Castro poderá perder o mandato e também ficar inelegível por oito anos, conforme prevê a legislação eleitoral brasileira.
O Tribunal Superior Eleitoral é composto por sete ministros e exige quatro votos para formar maioria em decisões dessa natureza.
Acusações envolvendo o Ceperj
O processo gira em torno da suspeita de uso irregular da máquina pública estadual durante o período eleitoral. Investigações apontam que programas vinculados à Fundação Ceperj e à Universidade do Estado do Rio de Janeiro teriam sido utilizados para contratar milhares de pessoas de forma temporária.
Essas contratações teriam ocorrido sem processo seletivo formal e com pagamentos em dinheiro vivo, segundo denúncias que vieram à tona em 2022. As acusações sustentam que a estrutura teria sido usada para beneficiar aliados políticos e ampliar apoio eleitoral ao então candidato à reeleição.
A defesa de Castro nega irregularidades e afirma que não houve uso da estrutura pública para fins eleitorais.
Cenários possíveis após o julgamento
Especialistas em direito eleitoral apontam três cenários possíveis a partir da decisão do TSE.
1. Absolvição definitiva: Caso a maioria dos ministros entenda que não houve irregularidade, o governador mantém o mandato e encerra o processo eleitoral.
2. Cassação do mandato: Se a Corte decidir pela cassação da chapa vencedora de 2022, Cláudio Castro poderá perder o cargo.
3. Inelegibilidade: Além da perda do mandato, o tribunal pode declarar o governador inelegível por até oito anos, com base nas regras da Lei da Ficha Limpa.
Dependendo do momento da decisão, o estado poderá ter novas eleições ou a sucessão poderá ocorrer conforme regras constitucionais aplicáveis ao cargo.
Impacto político no Rio
O julgamento é considerado um dos mais relevantes processos eleitorais em curso no país e pode alterar profundamente o cenário político fluminense.
Cláudio Castro foi reeleito em 2022 e é aliado de lideranças importantes do campo conservador, incluindo o senador Flávio Bolsonaro. Caso o governador perca o mandato ou fique inelegível, o episódio poderá reorganizar alianças políticas no estado e influenciar as disputas eleitorais futuras.
Nos bastidores de Brasília e do Rio de Janeiro, partidos e lideranças políticas acompanham de perto o andamento do processo, que pode redefinir o equilíbrio de forças no estado.