Advogado-geral da União amplia diálogo com base governista e oposição para garantir aprovação no Senado em etapa decisiva marcada para 29 de abril.
Ana Beatriz Publicado em 25/04/2026, às 08h57
O advogado-geral da União, Jorge Messias, entrou na fase final de articulação política para viabilizar sua indicação ao Supremo Tribunal Federal. A movimentação ocorre às vésperas da sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, marcada para o próximo dia 29 de abril, considerada uma das etapas mais sensíveis do processo de escolha de um novo ministro da Corte.
Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Messias precisa conquistar o apoio da maioria absoluta dos senadores para avançar. Isso significa atingir pelo menos 41 votos favoráveis no plenário, em votação secreta que definirá se o nome será confirmado para o STF.
Nos bastidores, aliados do governo afirmam que o cenário é positivo e projetam um placar entre 48 e 52 votos a favor da indicação. A oposição, no entanto, apresenta uma leitura mais cautelosa e avalia que o número de apoios pode não ultrapassar 35 votos, o que colocaria em risco a aprovação.
Diante desse cenário, o advogado-geral intensificou sua agenda política e ampliou o diálogo com diferentes frentes do Senado, incluindo parlamentares contrários ao governo. Um dos movimentos mais relevantes foi a reunião com o líder do PL na Casa, Carlos Portinho, mesmo após a bancada do partido ter fechado posição contrária à indicação.
A estratégia adotada por Messias tem sido descrita por interlocutores como conciliadora. Segundo relatos, o indicado pretende manter uma postura moderada durante a sabatina, evitando confrontos diretos e buscando reduzir resistências entre senadores indecisos.
O rito de aprovação prevê que, após a sabatina na CCJ, os senadores votem um parecer sobre a indicação. Caso seja aprovado na comissão, o nome segue para votação no plenário do Senado, onde o resultado final será definido.
A disputa pelos votos evidencia o peso político da indicação ao Supremo Tribunal Federal, que não apenas exige capacidade técnica do indicado, mas também articulação institucional e respaldo político suficiente para atravessar o processo legislativo.
Nos bastidores de Brasília, a avaliação é de que a reta final será determinante. Mesmo com projeções otimistas por parte do governo, o cenário segue em aberto, e cada voto pode ser decisivo para o desfecho da indicação.