Investigação reúne mensagens e registros de pagamentos que associam ex-dono do Banco Master aos custos da estadia de Motta e Ciro Nogueira hotel de luxo de Portugal
Redação Publicado em 17/06/2026, às 16h14
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou a interlocutores que participou, em 2024, de uma viagem a Portugal utilizando uma aeronave vinculada ao empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, atualmente investigado por irregularidades financeiras pela Polícia Federal. Segundo relatos feitos pelo parlamentar a aliados, a viagem ocorreu a convite do senador Ciro Nogueira (PP-PI), e parte dos custos de hospedagem em Lisboa teria sido paga por Vorcaro.
A informação veio à tona após o Supremo Tribunal Federal (STF) retirar o sigilo de documentos produzidos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master e reúne trocas de mensagens, registros de despesas e outros documentos analisados pelos investigadores.
De acordo com pessoas próximas, Motta argumentou que, à época da viagem, não havia conhecimento público sobre possíveis irregularidades envolvendo Vorcaro. O presidente da Câmara também teria informado que o empresário arcou com apenas parte da hospedagem durante sua permanência na capital portuguesa.
Os dados reunidos pela Polícia Federal, porém, apresentam uma versão diferente. Conforme o relatório, mensagens interceptadas indicam que Vorcaro organizou a estadia de Hugo Motta e Ciro Nogueira em Lisboa, incluindo a reserva de acomodações em um hotel de alto padrão. A documentação analisada pelos investigadores aponta despesas relacionadas a um período maior do que o mencionado pelo deputado.
Segundo a apuração da PF, conversas entre Vorcaro e um de seus auxiliares fazem referência à necessidade de providenciar quartos para “Ciro e Hugo” durante a viagem. Em seguida, surgem registros sobre a reserva de duas suítes no hotel Four Seasons. Os investigadores afirmam que a lista de hóspedes mencionada nas mensagens incluía os nomes dos dois parlamentares.
A corporação também cruzou o conteúdo das conversas com documentos localizados em contas de e-mail ligadas ao ex-banqueiro. Entre os materiais analisados está uma fatura referente a despesas em Lisboa, datada de junho de 2024, período que coincide com as mensagens encontradas pelos investigadores.
No relatório enviado ao STF, a Polícia Federal sustenta que há elementos suficientes para relacionar os pagamentos registrados à hospedagem de Hugo Motta e Ciro Nogueira. O documento aponta que os custos das diárias somaram 3.155,71 euros, valor que correspondia a cerca de R$ 18,2 mil na cotação da época.
Procurado sobre o caso, Hugo Motta declarou defender que as investigações transcorram de forma independente e sem interferências, enquanto a apuração sobre as atividades de Daniel Vorcaro segue em andamento.