Indicação de Luiz Inácio Lula da Silva ao STF é barrada em episódio raro, enquanto Fernando Haddad intensifica críticas ao governo paulista e projeta embate eleitoral.
Ana Beatriz Publicado em 30/04/2026, às 14h15
A rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal pelo Senado Federal marcou um episódio considerado histórico na política brasileira recente. A indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi barrada pela maioria dos senadores, algo que não ocorria há mais de um século.
A decisão gerou forte repercussão no meio político e foi interpretada por aliados do governo como um sinal de tensão institucional entre Executivo e Legislativo. Para Fernando Haddad, a rejeição representa uma perda estratégica no combate à corrupção e ao crime organizado.
Segundo ele, Messias teria perfil técnico e trajetória compatíveis com a função, destacando sua atuação na articulação entre órgãos como Receita Federal, Coaf e Ministério Público em operações recentes. Haddad afirmou que o advogado público teria papel relevante no fortalecimento das instituições e na aplicação rigorosa da lei.
A derrota no Senado também levanta questionamentos sobre a articulação política do governo junto ao Congresso, especialmente sob a liderança de Davi Alcolumbre, apontado por interlocutores como figura central na condução do processo.
Apesar do revés, Haddad avalia que o presidente Lula tende a se fortalecer politicamente após derrotas, citando episódios anteriores em que o governo conseguiu reverter cenários adversos, como na aprovação de medidas econômicas.
Impacto político e cenário eleitoral
O episódio ocorre em meio ao acirramento do cenário político em São Paulo. Haddad, que se posiciona como pré-candidato ao governo estadual, elevou o tom das críticas ao atual governador Tarcísio de Freitas.
Durante a entrevista, ele afirmou que pretende “passar a limpo” a administração estadual, mencionando suspeitas de irregularidades em diferentes áreas da gestão, incluindo Secretaria da Fazenda, infraestrutura e contratos públicos.
Haddad também comparou o atual governo com gestões anteriores, afirmando que o estado enfrenta retrocessos em áreas como educação, segurança pública e crescimento econômico. Segundo ele, São Paulo cresceu abaixo da média nacional no último ano, o que atribui a decisões políticas e econômicas do governo estadual.
Além disso, o ex-ministro criticou a condução de privatizações e a gestão de empresas públicas, citando a venda da Sabesp e o impacto na tarifa de água como pontos de atenção.
Segurança pública e crime organizado
Outro eixo central das críticas foi a segurança pública. Haddad mencionou investigações que apontam possíveis conexões entre agentes públicos e organizações criminosas, defendendo maior integração entre forças estaduais e federais.
Ele também criticou a ausência de um modelo coordenado de combate ao crime organizado, sugerindo a criação de um gabinete integrado com participação de diferentes instituições, incluindo Polícia Federal e Ministério Público.
Educação, economia e agenda social
Na área educacional, Haddad se posicionou contra o modelo de escolas cívico-militares, argumentando que não há evidências de melhoria no desempenho acadêmico. Defendeu maior investimento e gestão baseada em dados e evidências.
Na economia, rebateu críticas sobre aumento da carga tributária, afirmando que medidas recentes focaram na tributação de rendas mais altas e na correção de distorções fiscais.
Também destacou o crescimento de apostas online como fator relevante no endividamento das famílias, apontando falhas regulatórias em governos anteriores.
Alianças e composição política
Sobre alianças, Haddad afirmou buscar ampliar o diálogo com diferentes setores, incluindo centro e centro-direita, e defendeu a presença feminina na composição de sua chapa.
Ele citou conversas com lideranças políticas como Gilberto Kassab e mencionou a possibilidade de construir uma frente ampla para a disputa eleitoral.
Cracolândia e políticas públicas
Ao abordar a situação da Cracolândia, Haddad defendeu políticas de saúde pública e reinserção social, diferenciando o papel da prefeitura e do governo estadual. Segundo ele, a dispersão recente dos usuários pode indicar uma mudança de estratégia baseada em repressão policial, mas ressaltou a necessidade de dados mais precisos.