Ministro rebate vídeo atribuído a aliados de Bolsonaro, contesta informações sobre fome e apostas esportivas e afirma que governo atual atua para corrigir irregularidades do setor.
Ana Beatriz Publicado em 18/04/2026, às 13h54
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, publicou um vídeo em suas redes sociais criticando a disseminação de informações falsas envolvendo o governo federal e antecipando o tom de embate político mesmo antes do início formal da campanha eleitoral.
Na gravação, Haddad afirma que um conteúdo compartilhado por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro utiliza imagens fora de contexto para atribuir ao atual governo uma situação que, segundo ele, ocorreu em 2021. O ministro sustenta que as cenas — que mostram pessoas recolhendo restos de alimentos — teriam sido registradas durante a gestão anterior, ainda no período da pandemia de Covid-19.
Haddad relaciona o episódio ao aumento da insegurança alimentar no país naquele período, citando números que apontavam milhões de brasileiros em situação de fome. Segundo ele, a utilização dessas imagens como se fossem atuais caracteriza desinformação com objetivo político.
O ministro também rebate outra alegação que circula nas redes sociais envolvendo a regulamentação das apostas esportivas. Ele afirma que a legalização das chamadas “bets” ocorreu em 2018, durante o governo de Michel Temer, por meio de legislação que previa um prazo de até quatro anos para regulamentação do setor.
De acordo com Haddad, esse prazo coincidiu com o governo Bolsonaro, que, segundo ele, não teria avançado na criação de regras para o funcionamento das plataformas. O resultado, ainda conforme o ministro, foi a expansão do setor sem controle regulatório, com forte presença em publicidade esportiva, redes sociais e meios de comunicação.
Na sequência, Haddad destacou medidas adotadas pela atual gestão para organizar o mercado de apostas. Entre as ações citadas estão a retirada de plataformas consideradas irregulares do ar, a criação de regras de funcionamento, a cobrança de impostos e o reforço na fiscalização.
O ministro também afirmou que houve restrições para impedir o acesso de menores de idade e de beneficiários de programas sociais às plataformas, além da atuação da Polícia Federal em investigações sobre possíveis conexões com atividades ilícitas.
Sem mencionar diretamente nomes, Haddad criticou o que classificou como estratégia recorrente de desinformação por parte de adversários políticos. Para ele, a antecipação desse tipo de conteúdo indica um cenário de disputa marcado por ataques e distorções antes mesmo do início oficial da campanha.