Cantor anuncia candidatura à Presidência em 2026 e provoca reações no campo político, incluindo Bolsonaro e Caiado
Marina Milani Publicado em 03/01/2025, às 15h33
O universo político brasileiro foi pego de surpresa com a declaração do cantor Gusttavo Lima de que pretende disputar a Presidência da República em 2026. A decisão não só pegou de surpresa seus aliados, como também movimentou os bastidores da direita, que vê no gesto um possível reposicionamento estratégico para o próximo pleito.
Até então, Gusttavo Lima era cotado para disputar uma vaga no Senado, com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, de quem foi um aliado declarado na última eleição. No entanto, ao anunciar sua intenção de concorrer ao Planalto, Lima deixou interlocutores bolsonaristas perplexos. A análise nos bastidores é de que o cantor estaria agindo como ponte para os interesses do governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
O cenário seria uma jogada conjunta: Lima entra em cena para testar a recepção de um outsider no campo da direita, enquanto Caiado avalia sua própria candidatura. Caso figuras como Tarcísio de Freitas optem pela corrida presidencial, Caiado poderia recuar, apoiando uma outra liderança. “Tempo ao tempo”, disse Caiado, em tom de cautela, sobre o avanço do cantor no tabuleiro político.
Analistas destacam que a decisão de Gusttavo Lima reflete o movimento de personalidades de fora da política tradicional, impulsionados pelo exemplo de figuras como Pablo Marçal. Contudo, sem o respaldo de Bolsonaro ou Lula, as chances de Lima são vistas como limitadas. Ele ainda precisaria lidar com a percepção de que sua candidatura carece de base sólida e apoios estruturais.
Nos últimos meses, Lima se reuniu com o presidente do PP, Ciro Nogueira, para tratar de seus planos de ingressar na vida pública. Inicialmente, sua intenção seria concorrer ao Senado, mas o cantor mudou o tom recentemente, sugerindo estar pronto para um desafio maior. “Ele surpreendeu até quem o incentivava. Ninguém esperava que fosse além do Legislativo”, comentou um aliado.
Entre os críticos, a candidatura é apontada como uma tentativa de blindagem política. Em 2023, Gusttavo Lima enfrentou sérias acusações, incluindo indiciamento por lavagem de dinheiro e organização criminosa em esquemas de apostas online. Uma ordem de prisão chegou a ser emitida, mas foi revogada no dia seguinte, enquanto o cantor estava em Miami. Essas polêmicas levantaram questionamentos sobre suas motivações ao ingressar na política.
Outro ponto que gerou especulações foi a luxuosa festa de aniversário de 35 anos de Lima, realizada em um iate na Grécia. O evento reuniu nomes de peso, incluindo Ronaldo Caiado, fortalecendo rumores de uma articulação política entre os dois. Questionado sobre o apoio a Gusttavo Lima, Caiado elogiou a iniciativa: “Contribui para o debate e fortalece o nosso campo.”