Desenrola 2.0

Governo Lula mantém cartão consignado no Desenrola 2.0 e acende alerta sobre dívida eterna de aposentados

Produto financeiro criticado por entidades de defesa do consumidor segue liberado mesmo após denúncias de práticas consideradas abusivas contra idosos do INSS

Cartão consignado mantido no Desenrola 2.0 volta a gerar críticas sobre endividamento de aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social - Imagem: KEBEC NOGUEIRA / METRÓPOLES

Redação Publicado em 07/05/2026, às 10h14

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O lançamento do Desenrola 2.0 pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva reacendeu um debate sensível envolvendo aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social. Apesar da promessa de aliviar o endividamento das famílias, o programa manteve em funcionamento o cartão de crédito consignado para beneficiários da Previdência — modalidade alvo de fortes críticas de entidades de defesa do consumidor.

O produto é apontado por especialistas como um dos principais mecanismos de endividamento prolongado de idosos, por permitir que apenas o valor mínimo da fatura seja descontado diretamente do benefício previdenciário. O restante da dívida permanece no rotativo, acumulando juros e prolongando os débitos por tempo indeterminado.

Como funciona o cartão consignado

Diferente do empréstimo consignado tradicional, que possui parcelas fixas e prazo definido, o cartão consignado desconta automaticamente apenas uma pequena parte da dívida mensalmente.

Na prática, muitos aposentados utilizam o cartão para sacar dinheiro, funcionando como um empréstimo informal, mas com taxas mais elevadas e possibilidade de dívida contínua.

Mesmo após as mudanças anunciadas no Desenrola 2.0, o produto foi mantido. A margem consignável total caiu de 45% para 40%, porém o cartão continua autorizado dentro de um limite específico de 5%.

Críticas e pressão política

O modelo já vinha sendo questionado dentro da CPMI que investigou irregularidades no INSS. O relator do colegiado defendeu o fim da modalidade, argumentando que ela favorece o chamado “endividamento permanente” de aposentados e pensionistas.

Segundo especialistas, o público idoso acaba sendo mais vulnerável ao modelo, especialmente diante da dificuldade de compreensão sobre juros rotativos e contratos financeiros complexos.

Mercado bilionário

O cartão consignado se tornou um dos produtos mais lucrativos do mercado financeiro voltado ao INSS. Estimativas apontam que o setor movimenta cerca de R$ 100 bilhões por ano.

O modelo também esteve no centro das investigações envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Relatórios parlamentares indicaram que milhões de contratos estavam ligados à modalidade.

Governo recorre ao TCU

Recentemente, o Tribunal de Contas da União determinou a suspensão temporária de novos empréstimos consignados para aposentados, citando riscos elevados e falta de transparência nas operações.

O governo federal, porém, recorreu da decisão e pediu a retomada das operações, alegando impacto no mercado de crédito e na população de baixa renda.

A manutenção do cartão consignado no Desenrola 2.0 agora amplia o debate entre proteção financeira aos idosos e interesses do sistema bancário.

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