Lista revela cachês de até R$ 470 mil e mostra quem são os criadores contratados para campanhas oficiais.
Ana Beatriz Publicado em 11/04/2026, às 14h41
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva destinou cerca de R$ 2 milhões ao pagamento de influenciadores digitais e artistas para campanhas institucionais desde 2025, segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação.
Os valores, executados pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), fazem parte de uma estratégia de reposicionamento da comunicação oficial, com foco no ambiente digital e no alcance via redes sociais.
Quem recebeu e quanto ganhou
A lista de pagamentos divulgada mostra concentração dos maiores valores em artistas e influenciadores com forte alcance digital. Veja os principais nomes:
Além desses, ao menos 55 influenciadores participaram das campanhas, com cachês que variam de cerca de R$ 1 mil a R$ 124,9 mil.
O maior valor entre influenciadores foi pago ao comediante e professor Matheus Buente, que produziu conteúdos sobre políticas públicas como Pix e combate à fome.
Como funcionam os pagamentos
Segundo a Secom, os influenciadores são contratados dentro das verbas de produção das campanhas, geralmente por meio de agências de publicidade já licitadas pelo governo.
Os criadores precisam apresentar métricas como número de seguidores, alcance e engajamento para participar do sistema oficial de mídia do governo, o Midiacad.
Parte das campanhas também envolve parcerias indiretas com plataformas digitais — como no caso do apresentador João Kleber, que participou de ação sem pagamento direto federal.
Estratégia digital
O investimento reflete uma mudança clara: mais de 30% da verba publicitária federal já é destinada ao digital, ampliando o uso de influenciadores como canal de distribuição de informação.
A justificativa oficial é acompanhar o comportamento da população, que consome cada vez mais conteúdo em redes sociais, especialmente entre públicos mais jovens.
Comparação com o passado
O uso de influenciadores não começou agora, mas ganhou escala. Entre 2019 e 2021, o governo Jair Bolsonaro gastou cerca de R$ 670 mil com esse tipo de contratação — valor significativamente menor que o atual. A diferença está no volume e na integração dessa estratégia ao planejamento central de comunicação.
Debate em aberto
A divulgação dos valores reacendeu discussões sobre:
Enquanto o governo defende maior alcance e eficiência na comunicação, críticos questionam a relação custo-benefício e o impacto político dessas ações.