Viagens nacionais e internacionais elevaram rendimentos de Ricardo Couto de Castro acima do salário mensal; transparência e critérios entram em debate
Redação Publicado em 13/04/2026, às 09h28
O governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto de Castro, acumulou R$ 192,3 mil em diárias ao longo de sete meses de 2025, valor que, em alguns períodos, superou o próprio salário mensal estimado em cerca de R$ 45 mil.
Presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro desde março de 2025, Couto utilizou o benefício — previsto para cobrir despesas com hospedagem, alimentação e deslocamento — em viagens nacionais e internacionais. Os valores das diárias são definidos pela própria Corte e podem chegar a R$ 1.394 em viagens nacionais e até US$ 865 (cerca de R$ 4,6 mil) por dia no exterior.
Os meses com maiores gastos foram junho, agosto, outubro e dezembro. Em junho, por exemplo, o magistrado recebeu R$ 49,2 mil em diárias, após viagens a Brasília e Madri, fazendo com que seus rendimentos totais no mês se aproximassem de R$ 94 mil.
Já em agosto, o desembargador passou mais da metade do mês fora do estado, com compromissos em Portugal, São Luís e Brasília, acumulando R$ 42,6 mil. Em outubro, foram 20 dias em trânsito, incluindo uma viagem à França para participação em evento de magistratura, que custou R$ 31,4 mil em diárias.
No fim do ano, em dezembro, Couto recebeu mais R$ 36,6 mil, com deslocamentos para Roma, Florianópolis e Belo Horizonte. Só a viagem à capital italiana, voltada a um encontro sobre direito digital, gerou R$ 31,5 mil em despesas.
Mesmo antes de assumir interinamente o governo, em março de 2026, o magistrado já havia recebido R$ 37,6 mil por uma viagem de 10 dias a Portugal, classificada como “visita institucional”. A agenda detalhada da viagem não foi divulgada até a última atualização.
Sucessão e contexto político
Ricardo Couto assumiu o comando do estado após a renúncia do então governador Cláudio Castro, que deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado. A ascensão ocorreu em meio a uma sequência de mudanças na linha sucessória, incluindo a saída do vice-governador e investigações envolvendo lideranças da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal discute a realização de eleições indiretas para um mandato-tampão no estado, o que pode redefinir o cenário político fluminense nas próximas semanas.
Debate sobre diárias
De acordo com o Conselho Nacional de Justiça, as diárias têm como finalidade custear despesas de trabalho fora da sede. No entanto, não há um limite mensal para o pagamento, o que permite que os valores se acumulem conforme a agenda de compromissos.
Especialistas em gestão pública apontam que, embora legais, os gastos com diárias frequentemente geram debate sobre transparência, necessidade das viagens e impacto nos cofres públicos — especialmente quando ultrapassam os vencimentos fixos dos agentes públicos.
Até o momento, o TJRJ não detalhou integralmente as agendas vinculadas às viagens realizadas pelo magistrado.