A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), surge como peça-chave para garantir a governabilidade para Lula. Com a missão de negociar com o Centrão — bloco que controla 40% das cadeiras no Congresso —, Hoffmann distribui cargos, emendas parlamentares e promessas de apoio a projetos em troca de votos favoráveis ao Planalto. Nos bastidores, porém, a estratégia enfrenta críticas até de aliados, que acusam o governo de reproduzir o pragmatismo de Bolsonaro.
Dados do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) revelam que, nos primeiros seis meses de 2024, o governo já repassou R$ 2,3 bilhões em emendas a parlamentares do Centrão, incluindo nomes investigados por corrupção. Em contrapartida, conseguiu aprovar a reforma tributária e barrar projetos contra o aumento de ministérios, mas fracassou em temas sensíveis, como a regulamentação de plataformas digitais e o controle de armas.
A postura de Hoffmann, descrita por um deputado governista como "dura na queda, mas sorridente no diálogo", é testada diariamente. Na semana passada, após o Planalto recuar na proposta de taxação de super-ricos, a ministra precisou articular até a madrugada para evitar uma rebelião no PL e no PP. "É um jogo de xadrez onde as peças mudam de lado a cada votação", resume o cientista político Sérgio Praça, da FGV. Enquanto isso, a oposição aproveita para atacar: "Gleisi é a madrinha do fisiologismo que o PT sempre criticou", disparou o líder do PSDB, Eduardo Braga.