Gilberto Kassab surge como nome forte para a vice e ganha apoio nos bastidores

Pressão de Gilberto Kassab e ofensiva do Partido Liberal pela vaga ampliam impasse na base do governador para a eleição de 2026

- Imagem: Divulgação / Mônica Andrade/Governo do Estado de SP

Marina Milani Publicado em 18/02/2026, às 09h41

A montagem da chapa para a tentativa de reeleição do governador Tarcísio de Freitas enfrenta um impasse nos bastidores políticos de São Paulo. A disputa pela vaga de vice e o avanço de articulações partidárias têm elevado a tensão entre aliados e ameaçam adiar a definição da composição majoritária.

De um lado, o governador sinaliza preferência pela manutenção do atual vice, Felício Ramuth, hoje filiado ao Partido Social Democrático. De outro, o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, trabalha para ocupar pessoalmente o posto, de olho na sucessão estadual de 2030, caso Tarcísio deixe o cargo para disputar a Presidência da República.

Além da disputa interna pela vice, o movimento de fortalecimento do PSD com a filiação de deputados estaduais — especialmente quadros oriundos do Partido da Social Democracia Brasileira — gerou incômodo em setores da base governista. Interlocutores avaliam que a estratégia ampliou o peso do partido dentro da máquina política paulista e elevou o custo de acomodação das demais siglas aliadas.

Nos bastidores, cresce a possibilidade de Ramuth mudar de legenda para permanecer como vice, caso Kassab insista em ocupar a vaga. A alternativa vem sendo discutida como forma de preservar o desenho originalmente defendido pelo governador, sem romper formalmente com o PSD.

PL também entra na disputa

O impasse não se limita ao PSD. O PL também pressiona para indicar o candidato a vice, defendendo o nome do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado. Deputados da base articulam um documento de apoio ao parlamentar, destacando o papel do Legislativo na aprovação de projetos estratégicos do governo.

A movimentação tem respaldo da direção nacional do partido, comandada por Valdemar Costa Neto, e de lideranças ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O argumento central é o tamanho da bancada e o peso eleitoral da legenda no estado.

Apesar disso, aliados próximos ao governador afirmam que ele tenta evitar concentração excessiva de espaço político em um único partido e busca manter equilíbrio entre as forças da coligação. A interlocutores, Tarcísio tem repetido que a decisão será conjunta, mas que nem todos poderão ser contemplados na chapa principal.

Outros partidos monitoram cenário

A indefinição abriu espaço para outras legendas se movimentarem. O Movimento Democrático Brasileiro também demonstrou interesse na vaga de vice e já levou o tema a reuniões com o Palácio dos Bandeirantes. Dirigentes avaliam que a composição ainda está em aberto e dependerá do avanço das negociações após o Carnaval.

Enquanto isso, a base governista tenta evitar que a disputa interna contamine a articulação eleitoral mais ampla — que inclui também a definição dos nomes para o Senado — e comprometa a estratégia para 2026 no maior colégio eleitoral do país.

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