Pré-candidato à Presidência diz confiar no sistema eleitoral brasileiro após repercussão de discurso a diplomatas, porém não retifica informação contestada pelo TSE sobre a Smartmatic.
Redação Publicado em 22/07/2026, às 10h24
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), divulgou uma nota oficial nesta terça-feira (22) para afirmar que confia plenamente no sistema eleitoral brasileiro, após a repercussão de um discurso em que associou as urnas eletrônicas utilizadas no Brasil a equipamentos ligados à empresa venezuelana Smartmatic.
Durante um encontro com diplomatas estrangeiros, realizado em Brasília, Flávio declarou que "não estava questionando o sistema de votação brasileiro", mas afirmou que muitas das máquinas utilizadas nas eleições nacionais teriam a mesma origem da empresa venezuelana citada em investigações sobre supostas fraudes eleitorais na Venezuela.
A declaração gerou repercussão porque, segundo esclarecimentos reiterados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas nem desenvolveu o software utilizado nas eleições brasileiras.
Na nota assinada pelo próprio senador, pelo coordenador de sua pré-campanha, Rogério Marinho, e pela coordenadora jurídica Maria Claudia Bucchianeri, Flávio sustenta que apenas mencionou fatos públicos relacionados à reunião realizada por Jair Bolsonaro com embaixadores e a um relatório divulgado pela CIA sobre o processo eleitoral venezuelano.
O documento afirma ainda que o parlamentar defende o fortalecimento das missões internacionais de observação eleitoral como forma de ampliar a transparência do processo democrático e reforça que a equipe de campanha possui "integral confiança" no sistema eleitoral brasileiro.
Apesar da manifestação, a nota não corrige nem esclarece a afirmação feita durante o evento sobre a suposta ligação entre as urnas brasileiras e a Smartmatic.
Após a divulgação das declarações, o TSE voltou a destacar que as mensagens relacionando a empresa venezuelana ao sistema eletrônico de votação brasileiro são falsas. Segundo a Corte, todo o projeto das urnas eletrônicas foi desenvolvido pela própria Justiça Eleitoral, sem participação da Smartmatic no fornecimento dos equipamentos ou na programação do software.
O tribunal também ressaltou que, ao longo de mais de duas décadas de utilização, o sistema eletrônico brasileiro passou por sucessivos testes de segurança, auditorias e mecanismos de fiscalização, sendo operado em ambiente criptografado e sem conexão com redes públicas de internet.
O episódio também reacendeu comparações com a reunião promovida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro com embaixadores estrangeiros em 2022, quando foram apresentadas críticas ao sistema eleitoral brasileiro. O encontro foi posteriormente considerado pelo TSE como abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, decisão que resultou na condenação do ex-presidente à inelegibilidade.