Senador afirma que solicitou ao presidente dos EUA que evitasse medidas contra o setor produtivo nacional e preservasse a relação comercial entre os dois países
Lívia Gennari Publicado em 02/06/2026, às 12h38
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), afirmou nesta terça-feira (2), que pediu diretamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que empresas brasileiras não fossem alvo de novas tarifas comerciais impostas pelo governo norte-americano.
A declaração foi feita durante entrevista à Rádio Itatiaia, dias após uma viagem a Washington, onde o parlamentar participou de reuniões com Trump, o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio. Segundo Flávio, o tema foi tratado de forma explícita durante os encontros.
Nas três reuniões que nós tivemos, com o presidente Trump, eu pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras. É um pedido que eu fiz, expresso, a eles", afirmou Flávio Bolsonaro em entrevista à Rádio Itatiaia.
Novo tarifaço
A fala ocorre após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciar a proposta de aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi apresentada na conclusão de uma investigação que avaliou práticas adotadas pelo governo brasileiro e que, na visão das autoridades norte-americanas, criariam obstáculos ao comércio entre os dois países.
O relatório cita questões como o funcionamento do PIX, problemas relacionados ao combate à pirataria, falhas na aplicação de leis anticorrupção e o avanço do desmatamento ilegal. Esses fatores foram apontados como elementos que poderiam gerar impactos negativos para empresas e investidores americanos.
Apesar da proposta de sobretaxa, o governo norte-americano incluiu uma série de exceções para produtos considerados estratégicos ou de interesse do mercado dos EUA. Entre eles estão itens do agronegócio, como carne, frutas e café, além de aeronaves e minerais classificados como terras raras.
Ao comentar a decisão, Flávio Bolsonaro também direcionou críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu principal adversário na disputa presidencial de outubro. O senador atribuiu ao governo federal parte da deterioração das relações comerciais com Washington e afirmou que a condução da política externa brasileira contribuiu para o cenário atual.
A iniciativa dos Estados Unidos representa mais um capítulo das tensões diplomáticas e comerciais entre os dois países. O anúncio também ocorre em um momento em que o governo brasileiro buscava ampliar o diálogo com a Casa Branca para evitar novas medidas econômicas e minimizar possíveis impactos sobre setores da economia nacional.