Segurança internacional

EUA vão classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, anuncia Marco Rubio

Decisão do governo Trump eleva pressão internacional sobre as maiores facções criminosas do Brasil e gera preocupação no Palácio do Planalto sobre possíveis impactos diplomáticos e financeiros.

Marco Rubio anunciou que PCC e Comando Vermelho serão classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas a partir de junho - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 28/05/2026, às 22h54

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O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta feira que pretende classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. A informação foi divulgada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, em uma medida que representa uma das ações mais duras já adotadas por Washington contra grupos criminosos brasileiros.

Segundo Rubio, as duas facções estão entre as organizações criminosas mais violentas da América Latina e possuem influência que ultrapassa as fronteiras brasileiras, alcançando outros países da região e também os Estados Unidos. A classificação oficial como organizações terroristas deve entrar em vigor a partir de 5 de junho de 2026. Até lá, PCC e Comando Vermelho já passam a ser enquadrados pelos EUA como “Terroristas Globais Especialmente Designados”, o que permite a aplicação imediata de sanções financeiras e restrições internacionais.

Em comunicado oficial, Rubio afirmou que as facções comandam milhares de integrantes e são responsáveis por ataques violentos contra policiais, autoridades públicas e civis. Segundo ele, a medida faz parte da estratégia do governo do presidente Donald Trump para ampliar o combate ao narcotráfico internacional e interromper fluxos financeiros ligados ao crime organizado.

A decisão acontece poucos dias após a visita do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. O parlamentar se reuniu com Trump e também com Marco Rubio em Washington. Após os encontros, Flávio afirmou publicamente que defendeu a classificação das facções brasileiras como grupos terroristas, argumentando que PCC e Comando Vermelho já atuam com métodos semelhantes aos de organizações terroristas internacionais.

A medida, no entanto, gera preocupação dentro do governo brasileiro. Integrantes da administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstraram receio de que a classificação possa abrir espaço para pressões internacionais, sanções econômicas e até justificativas para futuras intervenções externas sob o argumento de combate ao terrorismo.

O principal assessor internacional de Lula, Celso Amorim, afirmou que a cooperação internacional no combate ao crime organizado é bem-vinda, especialmente em áreas como lavagem de dinheiro e tráfico de armas. No entanto, destacou que qualquer tentativa de utilizar o tema como justificativa para interferência externa seria considerada inaceitável pelo Brasil.

Especialistas avaliam que a classificação pode produzir efeitos significativos no sistema financeiro internacional. Empresas, bancos e instituições que eventualmente realizem transações ligadas direta ou indiretamente a integrantes das facções podem passar a enfrentar maior fiscalização e riscos jurídicos sob a legislação americana.

Criado nos anos 1990 dentro do sistema prisional de São Paulo, o PCC se tornou uma das maiores organizações criminosas da América Latina, com atuação em rotas internacionais de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e infiltração em setores da economia formal. Já o Comando Vermelho surgiu no sistema carcerário do Rio de Janeiro e expandiu sua influência para diversos estados brasileiros, consolidando forte presença em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas.

Nos últimos anos, Argentina e Paraguai também passaram a enquadrar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas ou narcoterroristas, ampliando a pressão internacional sobre as facções brasileiras.

A decisão dos Estados Unidos ocorre em meio ao fortalecimento da pauta de segurança pública no cenário político brasileiro e promete intensificar os debates sobre combate ao crime organizado, soberania nacional e cooperação internacional nos próximos meses.

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