Sem citar diretamente o conflito entre Flávio e Michelle Bolsonaro, ex-presidente reforçou o apoio ao senador e o definiu como seu "porta-voz"
Gabriela Nogueira Publicado em 12/07/2026, às 08h47
Em meio à crise que expôs divergências dentro da família Bolsonaro e do PL, o ex-presidente Jair Bolsonaro divulgou uma carta em defesa da unidade entre seus apoiadores e reafirmou o apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O texto foi lido pelo parlamentar durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais e evita mencionar diretamente os recentes conflitos com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, embora faça um apelo para que as divergências sejam superadas.
Na mensagem, Bolsonaro escreve:
"Carta aos brasileiros:
Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós. O momento é de arregaçar as mangas e deixar de lado possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e empobrecimento.
Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e prosperidade.
Um afetuoso abraço a todos na certeza de que, juntos, tudo faremos pela nossa pátria. Deus, pátria, família e liberdade."
Após a leitura da carta, Flávio Bolsonaro agradeceu a manifestação pública do pai e afirmou que a decisão de reconhecê-lo como porta-voz ajuda a evitar discursos divergentes dentro do grupo político.
"Muitas pessoas parecem que estão boicotando até a candidatura, esperando o momento certo para vestir a camisa do Bolsonaro e ir para rua para resgatar o Brasil. Agradecer ele por estar me colocando como seu porta-voz. Isso é muito importante para evitar que existam falas conflituosas ou direções diferentes que porventura alguém possa estar seguindo", declarou o senador.
A manifestação ocorre poucas semanas depois da crise pública entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro. Os dois trocaram acusações pelas redes sociais, episódio que ampliou o desgaste interno no PL e culminou na saída da ex-primeira-dama da presidência do PL Mulher, após acordo com a direção nacional da legenda.
Nos bastidores, dirigentes do partido têm buscado reduzir as tensões antes da convenção nacional da sigla, marcada para 25 de julho, quando deverão ser definidos os próximos passos da estratégia eleitoral do partido.
Jair Bolsonaro permanece em prisão domiciliar enquanto cumpre pena decorrente da condenação relacionada à tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022.