Advogado diz que banqueiro vai colaborar e não pretende poupar envolvidos no caso Master
Erika Osti Publicado em 18/03/2026, às 15h48
O novo advogado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, procurou a Polícia Federal para informar que o empresário tem interesse em negociar um acordo de delação premiada no âmbito das investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo relatos obtidos por veículos de imprensa, o criminalista José Luis Oliveira Lima afirmou que seu cliente estaria disposto a colaborar amplamente e não pretende poupar ninguém caso a negociação avance.
A iniciativa ocorre em meio ao avanço das apurações sobre um esquema bilionário de fraudes financeiras. Vorcaro está preso preventivamente e é investigado por suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção e obstrução de justiça. A procura pela PF foi interpretada como um gesto para sinalizar disposição de cooperação com os investigadores.
O advogado não comentou oficialmente o conteúdo das conversas, alegando a sensibilidade do caso. Conhecido como Juca, ele assumiu a defesa recentemente, após a saída de outros criminalistas. A troca ocorreu no mesmo dia em que a Segunda Turma do STF formou maioria para manter a prisão do banqueiro, o que intensificou as especulações sobre uma possível colaboração premiada.
Antes de acionar a Polícia Federal, Oliveira Lima também se reuniu com o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, quando a possibilidade de delação foi mencionada. O advogado tem histórico de atuação em acordos desse tipo, incluindo negociações de grande repercussão na Operação Lava Jato.
As investigações fazem parte da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes envolvendo o Banco Master. Segundo a PF, há indícios de criação de carteiras de crédito fictícias e desvio de recursos para benefício pessoal dos envolvidos. O prejuízo estimado pode ultrapassar R$ 12 bilhões.
Ao longo das fases da operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, com recolhimento de documentos, dinheiro em espécie, veículos de luxo e mais de 100 celulares, incluindo aparelhos ligados diretamente a Vorcaro. Também houve bloqueio bilionário de bens e valores.
Na fase mais recente, os investigadores apontaram a existência de um grupo suspeito de intimidar adversários e monitorar autoridades, além de indícios de infiltração em órgãos reguladores. Servidores do Banco Central teriam atuado como consultores informais, repassando informações privilegiadas em troca de vantagens.
Diante da complexidade do caso, o ministro André Mendonça autorizou a prorrogação do inquérito por mais 60 dias, atendendo a pedido da Polícia Federal. Segundo os investigadores, ainda há grande volume de material apreendido a ser analisado, considerado essencial para o esclarecimento dos fatos. Uma eventual delação de Vorcaro pode ampliar o alcance das investigações e atingir outros envolvidos no esquema.