Advogado critica conduta do relator, contesta anotações da PF e alega afastamento do general em relação a Bolsonaro
Manoela Cardozo Publicado em 03/09/2025, às 11h35
Os ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomaram, nesta quarta-feira (3), o julgamento da ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete acusados de participação em uma tentativa de golpe de Estado em 2022. A sessão começou pela manhã e deve se estender até o início da tarde.
Argumentos da defesa de Augusto Heleno
O advogado Matheus Mayer Milanez, que representa o general Augusto Heleno, foi o primeiro a se manifestar. Ele criticou a dificuldade de acesso aos arquivos disponibilizados pela Polícia Federal, os prazos concedidos para a defesa e a conduta do relator Alexandre de Moraes. Milanez também destacou o afastamento entre Heleno e Bolsonaro após a aproximação do ex-presidente com o Centrão e sua filiação ao PL, alegando que o ex-ministro perdeu influência política no governo.
Segundo o defensor, uma caderneta apreendida pela PF e apresentada como indício pela PGR não teria relevância para o caso. O documento conteria anotações sobre um possível arcabouço legal para o golpe, mas Milanez afirmou que se tratava apenas de registros pessoais, sem utilização em reuniões oficiais.
Críticas à atuação de Moraes
A defesa também questionou a postura de Alexandre de Moraes, afirmando que o ministro teria feito perguntas a uma testemunha com base em informações externas ao processo. Para Milanez, isso caracterizaria uma atuação investigativa incompatível com o papel de julgador.
Outras sustentações previstas
Além de Heleno, os advogados de Jair Bolsonaro, do ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira e do general Walter Braga Netto também terão espaço para apresentar seus argumentos. Cada defesa terá cerca de uma hora para expor seus posicionamentos, antes da fase de leitura dos votos dos ministros, que pode ficar para a próxima semana.