Pressionado por lideranças do partido e por aliados preocupados com a unidade da direita, ex-governador de Minas Gerais enfrenta desgaste após ataques ao senador do PL e já é aconselhado a disputar uma vaga no Senado.
Ana Beatriz Publicado em 16/06/2026, às 10h35
As críticas feitas pelo ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, ao senador Flávio Bolsonaro abriram uma nova frente de tensão dentro do campo conservador e passaram a gerar dúvidas sobre a viabilidade de sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026.
Lideranças do Partido Novo, especialmente nos estados do Sul do país, vêm pressionando Zema a adotar um discurso mais moderado em relação ao PL e à família Bolsonaro. O receio é que o conflito prejudique alianças regionais consideradas estratégicas para as eleições do próximo ano e enfraqueça a construção de uma frente unificada de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O desgaste teve início após Zema criticar publicamente a relação de Flávio Bolsonaro com o empresário Daniel Vorcaro, personagem central das investigações envolvendo o antigo Banco Master. Em entrevista recente, o ex-governador afirmou que ficou indignado com as informações divulgadas e declarou que pessoas que se aproximam de indivíduos investigados devem ser observadas com cautela.
As declarações provocaram reação imediata entre integrantes do bolsonarismo. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro classificou as críticas como um ataque motivado por disputa política e chegou a defender o rompimento das alianças entre o Partido Liberal e o Novo. Segundo ele, Zema estaria buscando ocupar um espaço político hoje representado por Flávio Bolsonaro dentro da direita nacional.
A repercussão gerou preocupação dentro do Novo. Dirigentes avaliam que uma escalada do conflito pode comprometer acordos eleitorais já estabelecidos em estados como Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Goiás, onde as duas legendas atuam de forma próxima e dependem de parte do mesmo eleitorado.
Nos bastidores, integrantes da legenda defendem que Zema reduza o tom das críticas e concentre seus ataques no governo federal. Há ainda um grupo que considera mais viável uma candidatura ao Senado por Minas Gerais do que uma disputa presidencial, avaliando que a fragmentação da direita pode dificultar o desempenho do ex-governador em uma corrida nacional.
Apesar das pressões, Zema sinalizou que não pretende recuar. Em entrevista concedida nos últimos dias, afirmou que não se arrepende das declarações feitas contra Flávio Bolsonaro e reiterou suas críticas. Ao mesmo tempo, procurou diminuir a temperatura do conflito ao defender a construção de uma aliança entre forças de oposição para enfrentar o presidente Lula nas eleições de 2026.
O episódio acontece em um momento decisivo para a reorganização da direita brasileira. Com o cenário eleitoral ainda em formação, lideranças conservadoras buscam definir candidaturas competitivas e evitar divisões internas que possam favorecer adversários. Nesse contexto, o futuro político de Romeu Zema passou a ser acompanhado com atenção tanto dentro do Novo quanto entre aliados do campo bolsonarista.