Ex-deputada presa em Roma tenta reverter decisões favoráveis ao retorno ao país após condenações determinadas pelo STF
Julio Cezar Souza Publicado em 22/05/2026, às 09h00 - Atualizado às 09h04
A Justiça da Itália deve julgar nesta sexta-feira (22) um novo recurso apresentado pela defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli contra sua extradição ao Brasil. O caso será analisado pela Corte de Cassação de Roma, última instância do Judiciário italiano.
Zambelli está presa desde julho do ano passado no presídio de Rebibbia, em Roma, após ter sido localizada pelas autoridades italianas. A Justiça do país europeu já autorizou a extradição da ex-parlamentar em duas ações distintas relacionadas às condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A defesa sustenta que houve parcialidade do ministro Alexandre de Moraes nos processos que resultaram nas condenações da ex-deputada. Os advogados também alegam perseguição política e afirmam que a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, não ofereceria condições adequadas de segurança para receber Zambelli em caso de retorno ao Brasil.
Apesar dos argumentos, a Justiça italiana já havia entendido, em segunda instância, que a unidade prisional brasileira possui estrutura suficiente para custodiar a ex-parlamentar. Mesmo com eventual confirmação da extradição pela Corte de Cassação, o processo ainda dependerá da autorização final do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio.
Na última quarta-feira (20), Alexandre de Moraes informou ao Ministério da Justiça brasileiro que todas as garantias exigidas pelas autoridades italianas já foram apresentadas. O magistrado também solicitou que o governo brasileiro tome as providências necessárias para efetivar o retorno de Zambelli ao país.
A ex-deputada foi condenada pelo STF, em maio do ano passado, a 10 anos de prisão pelos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. A acusação está relacionada à invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Além da pena em regime inicial fechado, a decisão determinou pagamento de multa equivalente a 2 mil salários mínimos.
Após a condenação, Zambelli deixou o Brasil e se estabeleceu na Itália, país do qual também possui cidadania. Meses depois, acabou presa em Roma. Desde então, tenta barrar judicialmente sua extradição.
Enquanto responde ao processo no exterior, a ex-deputada também foi condenada em outra ação no Brasil. Em agosto, o STF fixou pena de 5 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.
O caso se refere ao episódio ocorrido na véspera das eleições de 2022, quando Carla Zambelli perseguiu um jornalista armada pelas ruas de São Paulo. A Justiça italiana também autorizou a extradição relacionada a esse processo.