Troca de ofensas entre Major Araújo e Amauri Ribeiro escalou após críticas envolvendo Wilder Morais, Jorge Messias e disputas internas do PL goiano.
Ana Beatriz Publicado em 08/05/2026, às 11h24
A sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás terminou em tumulto nesta quinta-feira (7) após uma intensa troca de ofensas entre os deputados estaduais Major Araújo e Amauri Ribeiro, ambos filiados ao PL. O clima de tensão foi tão elevado que a sessão precisou ser encerrada antecipadamente pelo presidente da Casa, Bruno Peixoto, com atuação da Polícia Legislativa para conter os parlamentares e evitar um possível confronto físico.
A reunião no plenário Iris Rezende durou cerca de 30 minutos e rapidamente saiu do controle após Major Araújo subir à tribuna para atacar Amauri Ribeiro. Durante o discurso, o parlamentar fez críticas à postura do colega dentro do PL em Goiás e utilizou termos pejorativos para classificá-lo politicamente, chamando Amauri de “direita trans” e “Joice Hasselmann do PL”, numa referência à ex-deputada federal Joice Hasselmann, que rompeu politicamente com aliados da direita nos últimos anos.
As declarações ocorreram em meio ao agravamento da crise interna envolvendo aliados do senador Wilder Morais, apontado como pré-candidato ao Governo de Goiás nas eleições de 2026. Major Araújo saiu em defesa de Wilder após Amauri Ribeiro criticar publicamente a ausência do senador em uma votação no Senado relacionada ao nome de Jorge Messias.
O embate, que já vinha crescendo desde quarta-feira (6), ganhou novos contornos quando Major Araújo mencionou cargos ocupados por familiares de Amauri Ribeiro dentro do governo estadual, numa tentativa de associar o deputado ao grupo político do governador Ronaldo Caiado.
Amauri Ribeiro reagiu ainda durante o discurso, diretamente de sua cadeira no plenário, e respondeu com ataques pessoais. Em meio à discussão, chamou Major Araújo de “soldadinho de brinquedo”, elevando ainda mais o nível do confronto verbal entre os parlamentares.
Nos bastidores da Alego, o episódio foi interpretado como mais um sinal do racha interno no PL de Goiás, especialmente diante das movimentações políticas para a disputa estadual de 2026. A tensão crescente entre grupos ligados a Wilder Morais e parlamentares com maior proximidade ao governo Caiado tem provocado sucessivos atritos dentro da legenda.
Antes mesmo da sessão começar, Amauri Ribeiro já havia indicado que o clima seria de enfrentamento. Da tribuna, o deputado afirmou ter cancelado compromissos para responder pessoalmente às críticas feitas por Major Araújo nos dias anteriores.
Com o bate-boca se intensificando e parlamentares se aproximando fisicamente durante a discussão, agentes da Polícia Legislativa precisaram agir para conter os ânimos. Diante do risco de a situação evoluir para agressões, Bruno Peixoto decidiu encerrar imediatamente a sessão plenária.
O episódio repercutiu rapidamente nos bastidores políticos goianos e nas redes sociais, ampliando a exposição das divisões internas do PL em um momento considerado estratégico para as articulações eleitorais no estado.