Condenação

Carla Zambelli arrecadou R$285 mil para pagar multas do STF antes de deixar o Brasil

Após condenação por invasão ao CNJ, Zambelli busca apoio financeiro nas redes sociais para saldar dívidas judiciais

Após condenação por invasão ao CNJ, Zambelli busca apoio financeiro nas redes sociais para saldar dívidas judiciais - Imagem: Reprodução / Michel Jesus / Câmara dos Deputados

Gabriela Thier Publicado em 04/06/2025, às 15h45

A deputada federal Carla Zambelli, do PL, anunciou a arrecadação de R$285 mil em doações via Pix, feitas por seus apoiadores nas redes sociais, antes de deixar o Brasil. Essa iniciativa foi divulgada como parte de uma "vaquinha" destinada ao pagamento de multas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após a condenação da parlamentar por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2023.

No dia 19 de maio, Zambelli lançou sua campanha nas redes sociais. Ao final daquela data, compartilhou uma imagem do saldo bancário, que mostrava R$166 mil, resultado das contribuições recebidas. Apesar do valor significativo, a deputada afirmou que ainda não era suficiente para saldar suas dívidas judiciais.

Três dias depois, em 21 de maio, a deputada atualizou seus seguidores com outra imagem de seu extrato bancário, onde já constava um total arrecadado de R$285 mil. Em suas palavras, Zambelli ressaltou a necessidade desse montante para cobrir as multas que considera "injustas e desproporcionais", fruto de uma suposta perseguição política.

Nesta terça-feira (3), a deputada revelou que deixou o país inicialmente para tratamento médico e planeja solicitar licença não remunerada do seu cargo na Câmara dos Deputados. Sua condenação anterior incluiu uma determinação de pagamento de R$2 milhões por danos materiais e morais coletivos relacionados à invasão ao CNJ, além de multas individuais que somam cerca de R$2,1 milhões para ela e aproximadamente R$520 mil para o hacker Walter Delgatti, coacusado no caso. A quantia exata será definida no prosseguimento do processo.

Além das penalidades financeiras, Zambelli enfrenta uma sentença de dez anos de prisão e a perda do mandato. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), ela teria sido a responsável pelo planejamento do ataque cibernético, enquanto Delgatti admitiu os crimes. Em outro processo judicial, há indícios suficientes para condená-la por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com uso deste armamento; no entanto, o julgamento foi suspenso em março por solicitação do ministro Kassio Nunes Marques.

Continuação das Pedidos Mesmo no Exterior

Após sua saída do Brasil, Zambelli não interrompeu suas solicitações por apoio financeiro via Pix nas redes sociais. Ela disponibilizou seus dados bancários em seus perfis online e transferiu a gestão das redes sociais para sua mãe, Rita Zambelli. Em comunicado, a deputada explicou que esta decisão se deve ao desejo de deixar suas redes sob responsabilidade de alguém com princípios sólidos e valores semelhantes aos seus.

Ainda segundo Zambelli, sua mãe se tornará pré-candidata à deputada federal nas próximas eleições com o objetivo de dar continuidade à luta política da família contra o que ela descreve como autoritarismo.

Planos na Europa

Em entrevista recente, a deputada expressou sua intenção de trabalhar pelo fortalecimento da direita na Europa e resgatar sua identidade política anterior. Ela citou as atividades realizadas pelo deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos como um modelo que pretende replicar em solo europeu. Zambelli mencionou que é crucial alertar líderes europeus sobre os perigos da esquerda e promover um avanço conservador no continente.

Atualmente nos Estados Unidos para tratamento médico, Zambelli planeja viajar para a Europa ainda nesta semana, onde tem a intenção inicial de residir em Roma e depois no interior da Itália. Ela declarou estar ciente dos riscos legais que pode enfrentar no país europeu, mas se sente confiante devido à sua cidadania italiana.

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