Ex-presidente do Banco Central alegou decisão do STF para não comparecer; comissão tenta ouvi-lo pela terceira vez
Letícia Sales Publicado em 08/04/2026, às 12h03
O ex-presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, não compareceu à reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado, realizada nesta quarta-feira (8). Convocado como testemunha, ele justificou a ausência por meio de advogados, que apontaram possível violação a decisão do Supremo Tribunal Federal.
Esta é a terceira tentativa frustrada da comissão de ouvir o economista, que comandou a autoridade monetária entre 2019 e 2024. Segundo o presidente da CPI, o senador Fabiano Contarato, Campos Neto foi inicialmente convidado e, posteriormente, convocado devido à relevância de seu conhecimento técnico para as investigações.
A primeira tentativa de depoimento ocorreu em 3 de março, quando o ministro André Mendonça determinou que a convocação fosse convertida em convite, tornando facultativa a presença. Mesmo após nova tentativa em 31 de março, o ex-presidente do BC recusou participar.
Diante disso, os parlamentares aprovaram uma convocação formal, que, em regra, obriga o comparecimento. Ainda assim, Campos Neto voltou a não comparecer.
Na mesma sessão, a CPI ouviu o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. A comissão investiga a atuação e o funcionamento de facções criminosas no país, além de possíveis conexões com o sistema financeiro.
Com prazo de funcionamento até o dia 14, definido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, os integrantes da CPI avaliam medidas a serem tomadas diante da ausência.