Golpe de Estado

Bolsonaro revisou documento para impedir posse de Lula, afirma Mauro Cid

Ex-presidente Jair Bolsonaro teve acesso a minuta que visava impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022

Tenente-coronel Mauro César Barbosa Cid, ex-ajudante-de-ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Lula Marques

William Oliveira Publicado em 10/06/2025, às 09h22

O tenente-coronel Mauro Cid declarou, nesta segunda-feira (9), que o ex-presidente Jair Bolsonaro teve acesso à minuta que previa a contestação dos resultados das eleições de 2022 e solicitou alterações no documento. A proposta visava impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva por meio de medidas de ruptura institucional.

Segundo Cid, Bolsonaro pediu a exclusão de um trecho que previa a prisão de diversas autoridades. “Ele enxugou o documento. Basicamente, retirou as autoridades das prisões, somente o senhor ficaria como preso”, relatou o militar, referindo-se ao magistrado responsável por conduzir o inquérito.

Mauro Cid é o primeiro réu a depor no Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito das investigações sobre a tentativa de golpe de 2022. Ele firmou um acordo de colaboração com as autoridades e afirmou ter presenciado parte significativa das articulações golpistas, embora, segundo ele, não tenha participado diretamente das ações.

O ex-ajudante de ordens também apontou que o general Walter Braga Netto, candidato a vice na chapa de Bolsonaro, atuava como elo entre o ex-presidente e os acampamentos montados por apoiadores em frente ao Quartel-General do Exército, no Setor Militar Urbano (SMU) de Brasília. Segundo Cid, Braga Netto teria recebido recursos financeiros para manter a estrutura dos acampamentos.

jair bolsonaro STF EXÉRCITO ALEXANDRE DE MORAES BRAGA NETTO ELEIÇÃO 2022 POSSE DE LULA Mauro Cid minuta golpista golpe de 2022 colaboração premiada acampamentos golpistas Setor Militar Urbano prisão de autoridades Supremo Tribunal Federal.

Leia também