Bolsonaro é preso pela PF após avaliação de risco a ordem pública; entenda

Ex-presidente foi levado à Superintendência da Polícia Federal em Brasília e ficará em sala de Estado; defesa alega quadro clínico grave e pede prisão domiciliar humanitária.

- Imagem: Reprodução | Pablo PORCIUNCULA / X (Twitter) - @AFPnews

Marina Milani Publicado em 22/11/2025, às 06h19

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso na manhã deste sábado (22), em Brasília, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou sua detenção preventiva. A Polícia Federal (PF) cumpriu o mandado por volta das 6h e levou o ex-presidente para a Superintendência da PF, onde ele deve permanecer em uma sala de Estado — área destinada a autoridades de alta relevância institucional.

Segundo informações preliminares, a ordem não está relacionada à condenação de setembro, mas sim a uma medida cautelar adotada para garantir a ordem pública. A PF avaliou que a vigília convocada na sexta-feira (21) pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em apoio ao pai, oferecia risco a participantes e agentes de segurança, o que motivou o cumprimento imediato do mandado.

Prisão domiciliar anterior e descumprimento de medidas

Bolsonaro estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto, após decisão do ministro Alexandre de Moraes, que apontou descumprimento de medidas impostas anteriormente. Na ocasião, o ministro afirmou que o ex-presidente utilizou redes sociais de aliados — incluindo parlamentares próximos — para divulgar mensagens que, segundo Moraes, continham incentivo a ataques ao STF e apoio a interferências estrangeiras no Judiciário.

Condenação por tentativa de golpe não motivou esta prisão

Em setembro, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. A condenação ainda está em fase recursal e não foi o motivo da detenção deste sábado. O novo mandado tem caráter preventivo, com foco em impedir riscos à segurança e à ordem pública.

Defesa pede regime domiciliar por razões médicas

Na sexta-feira (21), a defesa do ex-presidente apresentou ao STF um pedido para substituir o regime fechado por prisão domiciliar humanitária. Os advogados alegam que Bolsonaro enfrenta “quadro clínico grave”, possui “múltiplas comorbidades” e não teria condições de ser transferido para o sistema prisional comum sem “risco concreto à vida”.

A defesa também reiterou que recorrerá da condenação no caso da tentativa de golpe, mas solicitou que o ex-presidente permaneça em casa enquanto tramita o processo.

Bolsonaro segue sob custódia na sede da PF, enquanto o STF analisa os pedidos apresentados e as próximas medidas judiciais.

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