A expectativa de aliados de Bolsonaro é que as sanções influenciem a votação de um projeto de anistia
Gabriela Thier Publicado em 04/08/2025, às 19h30
A recente inclusão do ministro Alexandre de Moraes na lista Magnitsky, anunciada em 30 de agosto, acirrou ainda mais a tensão entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal (STF). A expectativa de aliados próximos, como Eduardo Bolsonaro (PL-SP), era que as ações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, influenciassem os ministros da Corte a reavaliar seu apoio a Moraes, resultando em um possível isolamento do ministro no tribunal.
Os bolsonaristas esperavam que esse movimento facilitasse a votação de um projeto que anistia os detidos em decorrência dos eventos de 8 de janeiro, o qual já possui assinaturas suficientes para ser analisado com urgência na Câmara dos Deputados. Contudo, a proposta permanece estagnada, aguardando a deliberação do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Caso o STF e o Congresso não recuassem em suas posições, era previsível por parte dos apoiadores de Bolsonaro a possibilidade de incluir outras figuras proeminentes do Judiciário na lista de sanções, como o decano Gilmar Mendes e o presidente Luís Roberto Barroso, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Após a prisão domiciliar de Bolsonaro, aliados do ex-presidente acreditam que essas etapas poderão ser aceleradas. Desde março, quando se afastou do mandato e foi para os Estados Unidos em uma espécie de autoexílio, Eduardo Bolsonaro havia ameaçado incluir Moraes e outros ministros do STF entre os sancionados pela legislação.
A medida anunciada por Trump, que impôs aumento nas tarifas sobre produtos brasileiros para 50% e condicionou tal ação ao término dos processos contra Bolsonaro, gerou movimentações nos bastidores. Integrantes do STF e aliados do ex-presidente tentaram estabelecer um diálogo informal visando algum tipo de acordo.
Um desses encontros ocorreu no início da semana passada, antes das sanções entrarem em vigor. Durante um café da manhã entre lideranças do PL e Gilmar Mendes, as conversas foram descritas como 'muito ruins', uma vez que Mendes afirmou que o Supremo não cederia à pressão e não aceitaria transferir os casos relacionados aos golpistas e aos eventos de 8 de janeiro para a primeira instância. Por sua vez, os bolsonaristas reiteraram que não poderiam evitar as sanções.
No início do segundo semestre judicial, o ministro Moraes criticou diretamente os Bolsonaros durante seu discurso no STF. Ele caracterizou a ofensiva liderada por Eduardo nos EUA como parte de uma "organização criminosa" que atua de forma "covarde e traiçoeira", com a intenção de submeter as atividades do STF à influência estrangeira. Além disso, enfatizou que a Corte, junto com a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal, não se deixariam intimidar por tais ameaças.