Líderes do Congresso destacam a importância do diálogo diplomático e a Lei da Reciprocidade Econômica como resposta às tarifas
Marina Milani Publicado em 10/07/2025, às 17h44
Em uma resposta à recente imposição de tarifas elevadas por parte do governo dos Estados Unidos, os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), emitiram uma declaração conjunta nesta quinta-feira, 10 de agosto. A nota expressa a intenção do Congresso em acompanhar de perto os desdobramentos dessa medida, conhecida como "tarifaço", e garantir que o Legislativo colabore com o Executivo na mitigação de seus impactos.
A decisão do presidente Donald Trump de estabelecer uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros foi anunciada no dia anterior e é considerada a mais significativa entre as novas taxas divulgadas até o momento. As cartas informando sobre as tarifas foram enviadas na segunda-feira para 14 países, com efeito previsto a partir de 1º de agosto, caso não sejam firmados acordos comerciais.
Os líderes parlamentares ressaltaram que a resposta do Brasil deve ser pautada pelo diálogo nas esferas diplomática e comercial. Em seu comunicado, Alcolumbre e Motta afirmaram: "A imposição de novas taxações por parte dos Estados Unidos sobre setores estratégicos da economia brasileira deve ser respondida com um forte compromisso diplomático e comercial".
Além disso, destacaram a aprovação da Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada em abril, como um importante instrumento para reagir a ações hostis. "Com responsabilidade, este Parlamento aprovou uma lei que oferece condições ao nosso país e ao nosso povo para proteger nossa soberania", explicaram.
Os presidentes do Senado e da Câmara afirmaram que o Congresso se manterá atento aos desenvolvimentos relacionados às tarifas americanas e trabalhará em conjunto com o Executivo para minimizar os efeitos adversos sobre a economia nacional. "Estamos preparados para agir com equilíbrio e firmeza em defesa da nossa economia, do setor produtivo e da proteção dos empregos dos brasileiros", complementaram.
A nota foi divulgada no mesmo dia em que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou sua intenção de utilizar a nova legislação como base para retaliar as medidas unilaterais impostas pelos Estados Unidos.
O ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, declarou que Lula está decidido a aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica caso as tarifas anunciadas realmente entrem em vigor. Ele enfatizou que o presidente brasileiro não pretende entrar em contato direto com Trump, considerando essa atitude desnecessária em um contexto político.
Até o momento, a administração brasileira não recebeu nenhuma notificação oficial das autoridades americanas além do anúncio feito por Trump em suas redes sociais. O governo pretende se reunir com representantes dos setores exportadores ao longo do mês de julho para discutir estratégias de negociação e evitar possíveis prejuízos decorrentes das tarifas.