Uma piada imoral nas redes sociais pode colocar o deputado Gustavo Gayer (PL-GO) no “banco dos réus” do Conselho de Ética da Câmara. Ele já responde a outros processos na mesma instância, também por postagens de apologia à violência. Nesta quinta-feira (13), o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), protocolou uma representação inédita no Conselho de Ética da Câmara contra Gayer, acusando-o de "atacar a honra" da ministra Gleisi Hoffmann e do presidente Lula. O motivo foi uma postagem em que o parlamentar bolsonarista ironizou a declaração de Lula sobre nomear "uma mulher bonita" para negociar com o Legislativo, insinuando que Hoffmann, Lula e Alcolumbre formariam um "trisal".
A denúncia de Alcolumbre, que é aliado do governo, baseia-se no artigo 55 da Constituição, que prevê cassação por "conduta incompatível com a dignidade parlamentar". Em entrevista, Gayer defendeu-se: "Foi uma brincadeira." Se o Congresso vai cassar por humor, melhor fechar as redes sociais". Juristas, porém, lembram que o caso pode criar um precedente. "Há limites para a liberdade de expressão quando há assédio moral e misoginia", explica Karina Kufa, especialista em Direito Parlamentar.
O Conselho de Ética, presidido pelo deputado Amaro Neto (Republicanos-ES), terá 45 dias para analisar o caso. Se aprovada a cassação, Gayer — que já acumula 15 processos por fake news e apologia à violência — seria o primeiro deputado da legislatura a perder o mandato por motivos éticos. Movimentos feministas organizam protestos em apoio a Gleisi Hoffmann, que classificou a piada como "machismo disfarçado de humor".