POLÍTICA

Alcolumbre denuncia Gayer por piada sobre "trisal"; lacrador, deputado também é acusado por desvio de dinheiro

Pela primeira vez, um presidente do Senado e do Congresso Nacional pede a cassação de um deputado por quebra do decoro parlamentar

Deputado Gustavo Gayer (PL-GO) - Imagem: Reprodução / Mario Agra / Câmara dos Deputados

Jair Viana Publicado em 14/03/2025, às 08h21

Uma piada imoral nas redes sociais pode colocar o deputado Gustavo Gayer (PL-GO) no “banco dos réus” do Conselho de Ética da Câmara. Ele já responde a outros processos na mesma instância, também por postagens de apologia à violência. Nesta quinta-feira (13), o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), protocolou uma representação inédita no Conselho de Ética da Câmara contra Gayer, acusando-o de "atacar a honra" da ministra Gleisi Hoffmann e do presidente Lula. O motivo foi uma postagem em que o parlamentar bolsonarista ironizou a declaração de Lula sobre nomear "uma mulher bonita" para negociar com o Legislativo, insinuando que Hoffmann, Lula e Alcolumbre formariam um "trisal". 
A denúncia de Alcolumbre, que é aliado do governo, baseia-se no artigo 55 da Constituição, que prevê cassação por "conduta incompatível com a dignidade parlamentar". Em entrevista, Gayer defendeu-se: "Foi uma brincadeira." Se o Congresso vai cassar por humor, melhor fechar as redes sociais". Juristas, porém, lembram que o caso pode criar um precedente. "Há limites para a liberdade de expressão quando há assédio moral e misoginia", explica Karina Kufa, especialista em Direito Parlamentar. 
O Conselho de Ética, presidido pelo deputado Amaro Neto (Republicanos-ES), terá 45 dias para analisar o caso. Se aprovada a cassação, Gayer — que já acumula 15 processos por fake news e apologia à violência — seria o primeiro deputado da legislatura a perder o mandato por motivos éticos. Movimentos feministas organizam protestos em apoio a Gleisi Hoffmann, que classificou a piada como "machismo disfarçado de humor".
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