Vice-presidente afirma a aliados que não pretende concorrer a cargos caso seja retirado da composição presidencial, enquanto articulações políticas buscam fortalecer palanques em São Paulo.
Ana Beatriz Publicado em 08/02/2026, às 13h54
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), informou a dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) que não pretende disputar qualquer cargo eletivo caso seja retirado da eventual chapa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026. Segundo pessoas próximas ao vice, a declaração foi feita em tom conciliador e não foi interpretada como ameaça de rompimento político.
De acordo com interlocutores, Alckmin teria ressaltado que, mesmo fora da disputa, manteria apoio ao atual presidente. Nos bastidores, entretanto, lideranças petistas cogitam a possibilidade de aproveitar a força eleitoral do vice-presidente em São Paulo, estado com o maior colégio eleitoral do país. A estratégia incluiria uma eventual candidatura de Alckmin ao governo estadual ou ao Senado, em uma composição com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB).
Apesar das discussões internas, a manutenção da chapa Lula-Alckmin era considerada praticamente certa até o fim do ano passado. A parceria política construída para as eleições de 2022 fortaleceu a relação entre ambos, além de garantir apoio do Partido Socialista Brasileiro (PSB), legenda de Alckmin, que pressiona para manter o vice-presidente na composição nacional.
Nos últimos meses, porém, Lula passou a sinalizar nos bastidores que avalia possíveis mudanças na formação da chapa. O presidente indicou que pretende fortalecer a presença eleitoral em São Paulo, mas também considera a possibilidade de ampliar alianças nacionais, inclusive com o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido que possui divisões internas quanto ao apoio ao governo federal.
Atualmente, parte da cúpula do MDB mantém diálogo político com o Partido Social Democrático (PSD), que reúne pré-candidaturas próprias à Presidência. O cenário indica um tabuleiro político ainda indefinido, com articulações em curso para a formação de alianças eleitorais.
Aliados de Alckmin defendem sua permanência na chapa presidencial ao argumentar que o vice contribui para aproximar o governo de setores que historicamente demonstram resistência ao PT, como empresários e representantes do agronegócio. O vice-presidente também acumula o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, posição que reforçou seu diálogo com exportadores e setores produtivos.
Até o momento, Lula e Alckmin não teriam tratado diretamente sobre uma eventual mudança na composição eleitoral. Publicamente, o presidente costuma elogiar o vice e destacar sua lealdade política, considerada por aliados como um dos principais fatores para a manutenção da parceria nas eleições de 2026.