Advogado deixa defesa de Daniel Vorcaro após PF rejeitar proposta de delação

Mudança ocorre em meio ao enfraquecimento das negociações de acordo com a PGR

Dono do Master fica sem defesa de Juca após impasse nas negociações - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 22/05/2026, às 13h47

O advogado José Luis Oliveira Lima deixou a defesa do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em um momento de desgaste nas tratativas envolvendo um possível acordo de colaboração premiada. A saída ocorre poucos dias após a Polícia Federal rejeitar a proposta de delação apresentada pelo banqueiro, sob avaliação de que o material entregue não trazia elementos novos e repetia informações já conhecidas pelos investigadores.

Segundo apuração da PF, a proposta encaminhada no início do mês foi considerada insuficiente. Havia, de acordo com essa leitura, omissões relevantes sobre fatos já apurados ao longo do inquérito. A avaliação interna é de que a versão apresentada pela defesa não alcançou a consistência necessária para avançar em um eventual acordo formal.

Nos bastidores, também há a percepção de que a proposta de delação não teria alcançado o nível de consistência esperado pelas autoridades responsáveis pelo caso no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça. Interlocutores do caso apontam que a condução da defesa não teria contribuído com informações adicionais significativas, o que enfraqueceu a possibilidade de evolução das negociações. Apesar disso, a Procuradoria-Geral da República ainda mantém conversas em andamento, sem descartar completamente a hipótese de acordo.

Pedido de transferência

Na última quinta-feira (21), a defesa que ainda representava Vorcaro chegou a solicitar a transferência do empresário de uma cela na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como “Papudinha”, no Complexo da Papuda. Os advogados alegam que as condições de custódia na PF não seriam adequadas.

O advogado

Conhecido como “Juca”, José Luis Oliveira Lima tem longa trajetória na advocacia criminal e já atuou em casos de grande repercussão nacional. Entre eles, a defesa do ex-ministro José Dirceu no processo do Mensalão e do empresário Léo Pinheiro, ex-OAS, na Operação Lava Jato. Atualmente, também integra a defesa do ex-ministro Walter Braga Netto em investigações sobre a tentativa de golpe.

Com a saída de Oliveira Lima, a estratégia jurídica do caso volta a ficar em aberto justamente no momento em que as negociações com a PGR seguem sem desfecho. Caso o Ministério Público decida encerrar a tratativa, não há possibilidade de recurso ao Supremo Tribunal Federal, o que reforça o peso da decisão da Procuradoria no rumo do processo.

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