Investigação criminal

Técnicos de enfermagem são presos por série de homicídios no Hospital Anchieta, no DF

As prisões ocorreram após a direção do hospital identificar irregularidades, e a polícia investiga se há mais vítimas envolvidas.

Série de mortes em hospital do DF leva três técnicos de enfermagem à prisão - Imagem: Reprodução

Da Redação Publicado em 19/01/2026, às 14h35

Série de mortes em hospital do DF leva três técnicos de enfermagem à prisão
Três técnicos de enfermagem do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), foram presos suspeitos de envolvimento em uma série de homicídios cometidos contra pacientes da unidade. As investigações apontam que ao menos três pessoas morreram após receberem, de forma irregular, uma substância aplicada diretamente na veia, capaz de provocar parada cardíaca em poucos minutos.

As vítimas são uma professora aposentada de 75 anos, um homem de 63 anos, servidor da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), e um jovem de 33 anos, servidor dos Correios. Os nomes não foram divulgados.

Os suspeitos são duas técnicas de enfermagem, de 22 e 28 anos, e um técnico de 24 anos. Eles também não tiveram as identidades reveladas. Segundo a polícia, ainda não há confirmação sobre a motivação dos crimes.

Substância pode simular morte natural
De acordo com a Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP), responsável pela Operação Anúbis, os investigados teriam utilizado um composto químico que, quando administrado fora dos protocolos médicos, pode levar rapidamente à parada cardíaca.

Fontes ligadas à investigação afirmam que a substância chama atenção por poder causar a morte sem deixar sinais evidentes em um primeiro momento, o que dificulta a identificação imediata da causa real do óbito e pode simular morte natural ou complicações clínicas.

Esse fator, segundo os investigadores, pode ter atrasado a percepção de que os casos tinham ligação entre si.

Perfil dos investigados
O técnico de 24 anos era o responsável por aplicar as medicações nos pacientes. Ele já havia trabalhado em outros hospitais e atualmente cursa fisioterapia. A técnica de 28 anos também tinha histórico profissional em outras unidades de saúde. Já a jovem de 22 anos estava em seu primeiro emprego.

As mortes ocorreram entre novembro e dezembro de 2025 e inicialmente foram registradas como óbitos por causas clínicas. A situação começou a mudar após a direção do Hospital Anchieta identificar inconsistências nos prontuários e acionar a polícia.

Hospital denunciou o caso
Foi o próprio Hospital Anchieta que solicitou a abertura de inquérito policial. A instituição também pediu a adoção de medidas cautelares, incluindo a prisão dos envolvidos, que já haviam sido desligados da unidade.

As prisões foram cumpridas nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026. Os três estão à disposição da Justiça e devem responder por homicídio. A polícia segue investigando se há mais vítimas e se outras pessoas podem ter participado ou facilitado os crimes.

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